terça-feira, 27 de outubro de 2009

E vem aí Fhátima Santos no Projeto Clube do Choro Recebe, edição de número 100


Fhátima Santos, a convidada da centésima edição

No próximo sábado, dia 31 de outubro, o Projeto Clube do Choro Recebe completa a centésima edição. Já são mais de dois anos de atividades do Projeto, que reúne o Choro, enquanto a grande linguagem instrumental brasileira, com toda a riqueza e diversidade musical e cultural do Maranhão, do Brasil e até do planeta. Já tocaram por lá argentinos, norte americanos, mineiros, paulistas, gaúchos, cariocas, candangos, dentre outros estrangeiros.

O palco deste humilde projeto já recebeu, como é sua proposta, até pelo nome que ostenta, alguns dos maiores nomes da nossa música, entre compositores, compositoras, cantoras, cantores e instrumentistas. Nomes consagrados nacionalmente, outros jovens que despontam na nosssa cena musical. Gente de diferentes informações e influências, tratada com todo respeito, abertura e incentivo, tornando o Clube do Choro uma espécie de caldeirão musicultural, o que tem despertado na nova produção musical do Maranhão resultados já percpetíveis. Seja em novos projetos musicais que surgem, inspirados no Clube do Choro Recebe; seja no surgimento de novos palcos para a música instrumental na Ilha, algo, até bem pouco tempo, raro por aqui; seja na incorporação do choro como repertório ou como influência estética de novos nomes que estão surgindo.


instrumental Pixinguinha, o grupo anfitrião

Tudo isso por si, já bastaria para justificar um projeto como este, mas seus resultados vão além. Do ponto de vista da economia da música, deu uma mexida no mercado musical para a música instrumental em São Luís. E poderíamos falar de toda a cadeia produtiva da música que o projeto impactou. Desde os músicos, produtores, garçons, jornalistas, "vigias" de carro, proprietários de bares, enfim.

Só entre cachês dos músicos, prolabore de jornalista e produção, aluguel de som e ECAD (direitos autorais), que são as despesas que o projeto paga diretamente, por baixo, o projeto movimentou cerca de 140 mil reais. Isso sem falar dos outros elos da cadeia. Empregos para garçons, renda para flanelinhas, técnicos de som, cozinheiros, etc.

O Projeto Clube do Choro Recebe, agora sediado no bairro da Praia Grande, cenário histórico de importância e beleza ímpares, cumpre mais um relevante papel. O de valorizar o patrimônio arquitetônico e cultural da Cidade. No momento em que a Praia Grande vive um certo sucateamento, um intencional abandono, a presença do Projeto ajuda a colorir sonoramente e a ocupar aquele encantador logradouro, com a mais brasileira e universal das músicas, o Choro. Também um Patrimônio Cultural Brasileiro, a ser ainda reconhecido. Espera-se.

Para comemorar a centésima edição, uma atração especial. Leia no texto abaixo, do jornalista Zema Ribeiro, assessor de imprensa do Projeto, o anúncio do sarau do próximo sábado:

CLUBE DO CHORO RECEBE COMPLETA 100 EDIÇÕES

Data marcante será celebrada com a visita da cantora cearense Fhátima Santos, convidada de sábado (31) do projeto.

O projeto Clube do Choro Recebe completa 100 edições neste sábado, 31. A marca especial será celebrada com a voz e a presença de palco marcantes da cantora cearense nascida em Alagoas Fhátima Santos, que será recebida, na ocasião, pelos bambas do Instrumental Pixinguinha: Domingos Santos (violão sete cordas), João Neto (flauta), Juca do Cavaco, Nonatinho (pandeiro) e Raimundo Luiz (bandolim e rabeca).

“Esse projeto tem uma importância sem tamanho para oxigenar a música no Maranhão e para tornar mais bela a nossa cidade. Os músicos, a partir dele, começaram a ter um olhar mais amplo sobre os resultados para o coletivo, para o movimento choro, de como isso tem gerado resultados para todos, já que não é um projeto com dono: é de todos nós que gostamos de choro e de boa música em geral”, afirma Ricarte Almeida Santos, produtor e apresentador do Clube do Choro Recebe – e do Chorinhos e Chorões, único programa de rádio maranhense dedicado ao gênero, que vai ao ar aos domingos, às 9h, na Rádio Universidade FM (106,9MHz, audível on-line e em tempo real também pelo site http://www.universidadefm.ufma.br/).

Fhátima Santos, a grande voz do Ceará

A convidada da 100ª. edição do Clube do Choro Recebe é uma das mais versáteis intérpretes da noite da capital alencarina. “Musa dos notívagos”, para o jornalista Laécio Ricardo, Fhátima Santos passeia entre o romântico, o samba, o blues, o jazz e o bolero. Com a mesma desenvoltura e talento. No repertório de sábado, entre outros, compositores como Chico Buarque – a quem dedicou um disco inteiro – Vinícius de Moraes, Tom Jobim, Noel Rosa e Cartola. O Instrumental Pixinguinha foi o primeiro grupamento maranhense de choro a gravar um disco completamente dedicado ao mais brasileiro de todos os gêneros musicais: Choros maranhenses (2006) registra composições de seus próprios integrantes e de mestre do gênero, todos nascidos no Maranhão. É a segunda vez que Fhátima Santos se apresenta no Clube do Choro Recebe. O projeto Clube do Choro Recebe tem apoio cultural de TVN São Luís e Rádio Universidade FM e parceria de JL Music Studios e Solar Consultoria.

SERVIÇO O quê: Projeto Clube do Choro Recebe – 100ª. edição.Quem: o Instrumental Pixinguinha recebe a cantora cearense Fhátima Santos.Quando: dia 31 de outubro (sábado), às 19h30min.Onde: Pousada Portas da Amazônia/ La Pizzeria (Rua do Giz, Praia Grande).Quanto: R$ 10,00 (entrada).Maiores informações: clubedochorodomaranhao@gmail.com e/ou ricochoro@hotmail.comApoio Cultural: TVN São Luís e Rádio Universidade FM.
Parceria: JL Music Studios e Solar Consultoria.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Juntos, o choro e o pop, na Praia Grande


Tássia Campos é a artista convidada do grupo Um a Zero, neste sábado,17 de outubro, em mais um sarau do projeto Clube do Choro Recebe.

Se o grupo Um a Zero é um dos mais jovens da cena choro de São Luís, tocando com inventividade os grandes clássicos do choro, a cantora Tássia Campos é também uma das melhores novidades da nossa música cantada na atualidade.

Influenciada pela música pop, Tássia já vem há algum tempo desfilando seu talento pelos palcos de São Luís. A primeira vez que a vi cantar, apresentada por Gilberto Mineiro, do Cia da Música, da Rádio Universidade FM, foi em um show no antigo Armazém da Estrela.

Tássia cantava acompanhada, se não me falha a memória, por João Paulo no baixo; Jair Torres no violão e guitarra e Carlos Pial na percussão. Um ar um tanto descolado, levemente desconsertante, fazia soar meio despretensioso, para uma voz afinada de um cantar modernizante, essa foi a impressão que tive na ocasião.


Tássia Campos está nos preparativos do seu primeiro CD, que pelos andar da carruagem promete muito. Leia o texto, abaixo, de Zema Ribeiro anunciando o próximo sarau do projeto Clube do Choro Recebe.


O CLUBE DO NOVO
by Zemaribeiro

Novo endereço garante charme extra ao Clube do Choro Recebe. Sábado (17), o projeto apresenta a cantora Tássia Campos, pela primeira vez em seu palco.

O espaço é menor, garantindo mais aconchego. A arquitetura colonial de um dos prédios que formam o conjunto do patrimônio histórico da capital maranhense, garantindo-lhe o título de patrimônio cultural da humanidade, por seu centro histórico, dão, desde sábado passado, ao Clube do Choro Recebe, um charme extra.

Estamos falando da Pousada Portas da Amazônia/ La Pizzeria, localizada na Rua do Giz, Praia Grande. “A casa já tinha fama de aconchegante, a pousada está entre as melhores da Ilha, e a pizzaria dispõe de um cardápio variadíssimo, de qualidade, cada pizza mais gostosa que a outra”, atestou Ricarte Almeida Santos, produtor e apresentador do Clube do Choro Recebe.

Na estreia do projeto em novo endereço, o Regional Tira-Teima fez a base instrumental, servindo de grupo anfitrião. Como convidado, o clarinetista e saxofonista Fernando Machado, radicado em Brasília, professor da Escola Brasileira de Choro Raphael Rabelo. Pelo palco passaram ainda os percussionistas Lazico, Arlindo Carvalho, a cantora Lena Machado, o cantor Zé Carlos (percussionista do Tira-Teima) e o compositor Joãozinho Ribeiro, ex-secretário de estado da cultura, atualmente coordenador executivo da II Conferência Nacional de Cultura, pelo Ministério da Cultura.



A cantora Tássia Campos é a convidada da 98ª. edição do Clube do Choro Recebe, a segunda do projeto no novo palco, quando será recebida pelos bambas do Regional Um a Zero. A apresentação acontece sábado (17), às 19h30min. Natural de São Luís, com 23 anos de idade, e com raras apresentações em diversos bares da Ilha desde os 16, Tássia Campos, casada com o músico João Paulo (contrabaixista da banda Legenda), está às voltas com a gravação de seu primeiro disco, de repertório completamente inédito – a previsão de lançamento é o início de 2010. Suas influências vão dos mestres tropicalistas a Sidney Magal, passando por Novos Baianos e novos nomes da cena brasileira, como Otto, Céu e Zeca Baleiro, entre muitos outros. Ao lado da amiga Elen Mateus – que fará uma participação especial, sábado –, Tássia também está envolvida em um projeto bastante ousado: prestar, em São Luís, tributos a Itamar Assumpção (1949-2003) e Sérgio Sampaio (1947-1994), ditos malditos, dois dos mais geniais compositores que o Brasil já teve. Para sábado, em sua primeira apresentação no Clube do Choro Recebe, Tássia Campos preparou um repertório de primeira – onde deixa claras suas influências: Tom Jobim, Moreno Veloso, Ismael Silva, Cartola, Ivan Lins e, entre outros, Itamar Assumpção. O Regional Um a Zero, que a acompanhará, é formado por Henrique Jr. (violão), João Neto (flauta), Léo Caroço (pandeiro) e Roquinho (bandolim e cavaquinho). O projeto Clube do Choro Recebe tem apoio cultural de TVN São Luís e Rádio Universidade FM e parceria de JL Music Studios e Solar Consultoria.

SERVIÇO O quê: Projeto Clube do Choro Recebe – 98ª. edição.Quem: o Regional Um a Zero recebe a cantora Tássia Campos.Quando: dia 17 de outubro (sábado), às 19h30min.Onde: Pousada Portas da Amazônia/ La Pizzeria (Rua do Giz, Praia Grande).Quanto: R$ 10,00 (entrada).Maiores informações: clubedochorodomaranhao@gmail.com e/ou ricochoro@hotmail.comApoio Cultural: TVN São Luís e Rádio Universidade FM. Parceria: JL Music Studios e Solar Consultoria.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Buriticupu de fogo (e bala): militantes sociais ameaçados de morte





Ameaça de morte a militantes sociais, destruição da floresta, trabalho infantil, violência nas ruas, assaltos rotineiros a banco, envolvimento de políticos e autoridades com a criminalidade, dentre outros desmandos, é o clima que marca o município de Buriticupu, na pré amazônia maranhense.
Buriticupu, é um "belo" exemplo do quadro trágico de violação generalizada dos Direitos Humanos, que o atual modelo de "desenvolvimento" suscita. Só mesmo vendo. Uma simples filmagem na cidade já é motivo de perseguição e ameaça de morte. Há alguns meses, dois jovens documentaristas que faziam umas imagens naquela cidade foram perseguidos em alta velocidade por jagunços e madeireiros armados até os dentes, pelas ruas e pela perigosa estrada da região. Escaparam por pouco, graças a habilidade ao volante de um dos jovens cinegrafistas. Mas ainda assim, na delegacia de Buriticupu, acabaram quase criminalizados pelos policiais de plantão, escandolasamente cúmplices dos perseguidores.
Já não se tem mais a quem recorrer em Buriticupu. Os militantes da Cáritas, da Rede de Educação Cidadã e do Fórum de Políticas Públicas, depois de participarem do processo de mobilização e denúncia, que resultou na Operação Arco de Fogo, agora correm risco de morte. Estão sendo ameaçados por madeireiros e/ou políticos da cidade. Gente da cadeia produtiva da morte e da destruição.
A Cáritas Brasileira Regional Maranhão se pronunciou em nota, cobrando das autoridades proteção aos ameaçados:

NOTA

AGENTES CÁRITAS AMEAÇADOS DE MORTE

Cáritas Brasileira aponta “quadro trágico, vergonhoso e insustentável, fruto de um conjunto de fatores, entre os quais a ausência do poder público e de políticas públicas” em Buriticupu.

Sob o comando do Ministério do Meio Ambiente, a Operação Arco de Fogo, deflagrada para coibir desmatamentos e a extração ilegal de madeira, entre outros crimes ambientais, representantes de diversos ministérios, do IBAMA e da Polícia Federal, estiveram em agosto no município de Buriticupu/MA. Na ocasião, o Fórum de Políticas Públicas daquele município denunciou as ações criminosas de madeireiros, incluindo os senhores Antônio Marcos de Oliveira, vulgo Primo, prefeito municipal, e seu sócio José Mansueto de Oliveira, presidente da Câmara Municipal de vereadores.

Com a retirada da operação e de todo o seu aparato de segurança, funcionários do IBAMA evadiram-se da cidade, permitindo assim a retirada do lacre das madeireiras e seu retorno ao funcionamento normal, continuando o trágico quadro de crimes contra o meio ambiente, seja pela extração ilegal de madeira, poluição, geração de resíduos e proliferação de doenças, entre outros.

O envolvimento de autoridades com criminosos, ou o cometimento de delitos pelas próprias, contribui para um quadro de descrédito nas instituições, por parte da população, que busca fazer justiça com as próprias mãos, aumentando os alarmantes índices de violência – só após a passagem da operação Arco de Fogo, quatro jovens foram assassinados em Buriticupu.

Lideranças do Fórum de Políticas Públicas de Buriticupu/MA, integrado por representantes da Cáritas Diocesana de Viana e Rede de Educação Cidadã, entre outras, têm sofrido ameaças de morte. Naíza Gomes de Sousa Abreu, agente da Cáritas Diocesana de Viana e membro do Fórum de Políticas Públicas, após receber diversos recados, resolveu, forçada, deixar família, trabalho, seu cotidiano, saindo da cidade.

Diante do quadro trágico, vergonhoso e insustentável, fruto de um conjunto de fatores, entre os quais a ausência do poder público e de políticas públicas, a Cáritas Brasileira Regional Maranhão vem a público denunciar estes mais recentes acontecimentos e cobrar providências por parte das autoridades competentes – poderes executivo, legislativo e judiciário –, nas esferas federal e estadual. A garantia de vida destes cidadãos e cidadãs por parte das autoridades é mais que urgente.

Faz-se necessária uma intervenção em Buriticupu – para além de uma bissexta operação. Diante do imperativo ético revelado pela Igreja Católica ao afirmar que “a paz é fruto da justiça” – tema de sua Campanha da Fraternidade em 2009 –, a Cáritas Brasileira Regional Maranhão denuncia a ausência do Estado brasileiro assegurador da ordem pública e garantidor do direito fundamental à vida no município de Buriticupu/MA e exige apuração e punição imediata para os agentes públicos que encobrem, incentivam e/ou praticam crimes contra o meio ambiente e a vida de quem lá reside.

Coordenação Colegiada
Cáritas Brasileira Regional Maranhão

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Clube do Choro Recebe na Praia Grande


novo banner de fundo de palco do projeto clube do choro recebe

Depois de algumas semanas afastado das postagens por aqui, ainda enferrujado e meio cambaleante, estou parcialmente de volta.

O envolvimento intenso em diversos processos de mobilização social por conta do meu trabalho na Cáritas Brasileira e estudos acadêmicos, me impediram de me manifestar com regularidade neste espaço. Peço desculpas aos leitores e permissão para retornar postando um texto do assessor de comunicação do Clube do Choro, jornalista Zema Ribeiro, dando conta da mudança de endereço do Projeto Clube do Choro Recebe para a Praia Grande, mais precisamente para a pousada Portas da Amazônia, na rua do Giz, quase canto com a Faustina. Veja abaixo o texto do escriba oficial do Clube.

Clube do Choro Recebe muda de endereço
By zemaribeiro

Diversos grupos ludovicenses receberão o músico Fernando Machado, em edição que marca a mudança de endereço do projeto.

Um tributo especial ao mais brasileiro de todos os gêneros. Assim pode ser definido o 97º. sarau do Clube do Choro Recebe, que marca a mudança de endereço do projeto: os encontros semanais do Clube do Choro do Maranhão passarão a acontecer, a partir de sábado (10), na Pousada Portas da Amazônia/La Pizzeria, na Rua do Giz, Praia Grande.

Em caráter especial, marcando a estreia do Clube do Choro Recebe no cenário do casario e paralelepípedos do bairro do centro histórico da capital maranhense, o convidado será o clarinetista e saxofonista Fernando Machado, radicado na capital federal, onde é assíduo frequentador do Clube do Choro de Brasília.

O músico, que já deu canja especialíssima em sarau do Clube do Choro Recebe e volta agora como convidado, é professor da Escola Brasileira de Choro Raphael Rabello e membro fundador do Quarteto de Saxofones de Brasília, do Quarteto de Clarinetas Cana Seca e da Brasília Popular Orquestra, além de já ter tocado com diversos nomes importantes da música brasileira, a exemplo do homônimo segundo disco solo da cantora Luciana Oliveira (2008), ela, integrante da Natiruts, e Clodo Ferreira interpreta Sinhô (2005), homenagem do piauiense radicado em Brasília ao autor de Jura, Maldito costume e Gosto que me enrosco, entre outros clássicos da música brasileira.

Fernando Machado será acompanhado por diversas formações instrumentais da cena choro ludovicense, numa inversão à lógica estabelecida pelo projeto: o convidado será o anfitrião dos grupos, que se apresentarão como se dessem longas canjas. “Trata-se de um músico monumental e essa troca de experiência entre ele e os instrumentistas maranhenses será boa para ambos os lados, temos certeza. O desfile de nossos grupos é também uma forma de mostrarmos que o Clube do Choro do Maranhão, a cena choro do estado, através desse projeto vitorioso, está cada vez mais fortalecida”, celebra Ricarte Almeida Santos, coordenador e apresentador do projeto, produtor e apresentador do Chorinhos e Chorões (Rádio Universidade FM, 106,9MHz, aos domingos, às 9h), único programa de rádio dedicado ao gênero em São Luís.

Entre os grupos confirmados estão o Instrumental Pixinguinha, Regional Tira-Teima, Choro Pungado, Os Cinco Companheiros e Urubu Malandro. Antes das apresentações, a noite será aberta com a exibição de um documentário sobre Canhoto da Paraíba, importante personagem da música brasileira e, particularmente do choro, registrado em disco por Marcus Pereira, como outros gênios nacionais.
O projeto Clube do Choro Recebe tem apoio cultural de TVN São Luís, Autêntico Chopp de Vinho e Rádio Universidade FM e parceria de JL Music Studios e Solar Consultoria.

SERVIÇO
O quê: Projeto Clube do Choro Recebe – 97ª. edição.Quem: diversos grupos instrumentais recebem o clarinetista e saxofonista Fernando Machado, radicado em Brasília. Antes, haverá exibição de documentário sobre Canhoto da Paraíba.Quando: dia 10 de outubro (sábado), às 19h30min.Onde: Pousada Portas da Amazônia/ La Pizzeria (Rua do Giz, Praia Grande).Quanto: entrada franca, em caráter excepcional. R$ 10,00, a partir do próximo sábado.Maiores informações: clubedochorodomaranhao@gmail.com, ricochoro@hotmail.comApoio Cultural: TVN São Luís e Rádio Universidade

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Choro, músicas, identidades, aldeias, colônias e planeta



A propósito do que ocorre com o projeto Clube do Choro Recebe, que amanhã, dia 1º/09, completa dois anos de atividades ininterruptas, como espaço do diálogo do Choro, essa grande vertente da música brasileira, com a diversidade da música do Maranhão e do planeta, travei uma conversa bem informal, via e-mail, com um importante músico amigo. Penso que pode render outras reflexões em torno desse tema: Músicas, identidades, aldeias, colônias e planeta. Segue aí, por sugestão de outros amigos, que acompanharam o papo virtual, a mais recente mensagem que lhe enviei.

Obrigado por suas palavras de incentivo. Concordo com você, também acho que as artes e as culturas são bens de todos, dos povos. Nós, agentes culturais, artistas somos instrumentos articuladores, processadores dessas riquezas coletivas do jeito de ser dos povos do planeta. E mais, em um país e em um estado pobres como os nossos, a nossa produção artísitica deve estar também a serviço da inclusão, a nossa postura deve ser de acessibilidade dos mais pobres e humildes a seus direitos.

Os nossos projetos devem sempre ter também esse viés. Também acho que não há arte, música ou cultura superior. O que existe na maioria vezes é que se submete as artes/culturas aos interesses massivos/lucrativos do mercado. Aí nivela por baixo. São os chamados fenômenos de venda. Aí sim ocorre a degeneração, a pasteurização da arte e da cultura, como estamos assistindo com o forró, com o sertanejo, com o pagode, etc.

Acaba virando coisa descartável, sem moradia pro belo, pro artístico. No mais, penso que tanto o choro, como o jazz, o baião, o tango, a salsa, o fado, enfim, são grandes músicas, grandes linguagens musicais estruturantes, dos diferentes povos do planeta. Elas dialogam com as novas informações, se misturam entre si, são grandes matrizes, precisam ser cultuadas e valorizadas.

São todas patrimônios universais. Sem donos, nem superioridades de ninguém. O que ocorre é que, como somos um país colonizado por americanos e europeus, botaram na nossa cabeça que temos uma arte, uma cultura, uma música inferiores; que a boa, a superior, é a deles. E muitos de nós acreditamos.

Em resumo: a deles é boa, é ótima, nós gostamos. Mas a nossa também é rica, é autêntica, é moderna e aberta a fusões, a trocas, enfim, é original de nosso povo. Nós devemos ter orgulho da nossa música. Ela faz parte das nossas identidades. Só assim o mundo nos respeitará. Sobre os ruídos que houveram, são mal entendidos, interpretações, forças de expressão que acabam produzindo incompreensões.

Vejo que estamos no mesmo barco, empenhados na valorização e abertura de espaço para a música instrumental brasileira, mas com a cabeça aberta ao planeta e com o pé no terreiro do Maranhão.

Esperamos em breve, tê-lo no Clube do Choro, tocando nossa música, claro, com todas as influências e informações que você bebe no mundo. Um grande abraço, com admiração.

Ricarte

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Ricarte Almeida Santos, um craque de seleção


seleção de Santa Teresa do Paruá - f oto: arquivo familiar

Quando, em rodas de amigos mais chegados vendo jogos na televisão e diante de uma jogada mais plástica dos nossos craques de seleção, como Ronaldinho Gaúcho, Ronaldo ou Robinho, digo que também já vivi momentos de glória no futebol jogando por uma seleção, todos riem da minha cara, como se isso fosse algo absolutamente iverossímel. Mas é a mais pura verdade.

Há muito que pesquiso em busca de prova material do que falo. Finalmente pesquei nos meus alfarrábios uma única foto perdida em meio a centenas de outras relíquias familiares. Acho que esta raridade (postada acima), além de provar os meus áureos tempos futebolísticos, finalmente entrará para a história do nosso futebol.

Durante quase toda a década de 80 e um poucquinho no início da de 90, foi o período em que desfilei toda minha habilidade e artilharia pelos gramados de Santa Teresa do Paruá, hoje infamemente chamada de Presidente Médice. Todo o meu repúdio. Alí na BR 316, entre Zé Doca e Gurupi. Toda aquela região foi testemunha do grande artilheiro que fui: um matador.

Naquela época, lembro, tomado de emoção, as muitas vezes que adentrava ao campo de jogo aclamado pela torcida como esperança de gol. Em campo a expectativa da torcida se confirmava. Transformava a esperança dos tercedores em gols. Cada um mais belo que o outro, cheios de efeito e plástica. Verdadeiras obras de arte.

Recordo dos muitos clássicos disputados na região do Alto Turí. Santa Teresa x Maranhãozinho, um clássico de grande rivalidade, algumas vezes a partida terminava no tapa; ou ainda Santa Teresa x Macaca(hoje chamado de Bom Jesus da Mata), numa partida memorável, histórica, estufei as redes quatro vezes e saí de campo nos braços da torcida, direto para o boteco mais próximo (a foto acima é daquele dia) ; Santa Teresa x Santa Luzia do Paruá, esse era o clássico das multidões e era tomado de máxima rivalidade e exigia segurança reforçada e observadores da FIFA (no caso bem poderia ser Federação Interiorana de Futebol Association). Poderíamos lembrar aqui outros muitos clássicos regionais como Santa Teresa x Mucura ou ainda Santa Teresa x Quatro Bocas, enfim, foram muitos os momentos de Glória pela imbatível seleção de Santa Teresa do Paruá.

Quero partilhar com meus leitores um pouco dessa época de ouro que vivi como craque de seleção, conforme a foto aí tão bem atesta. Quando vejo o meu Vasco da Gama hoje, cheio de pernas de pau, patinar na segundona, tenho vontade de entrar em campo e mudar os rumos da partida. Infelizmente a distância e os anos já não permitem. Mas vai aí a escalação da Seleção em que figurava como grande craque e goleador.

Em pé, da esquerda para direita: Moisés, Antonio Raimundo, Raimundim de Dona Rita, Dilso do Bié, Bernadim, Gimarães e Claudianor (técnico - já falecido); agachados: Ricarte, Gogó, Pedro, Felício (já falecido), Lico e Ciço. Era um escrete de ouro.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Olho de Boi - do Maranhão para o mundo, uma nova música


reprodução do encarte autografado

Já faz algum tempo que a música popular produzida no Maranhão, a despeito de sua manipulação política nas últimas décadas, vem dando sinais de renovação e reinvenção.


Bastaram alguns poucos anos de alternância no mando político estadual e uma minúscula quebra no escancarado e midiático apadrinhamento, com dinheiro público, de parcela significativa dos agentes produtores musicais do Maranhão, somados a uma nova geração de músicos, instrumentistas e produtores ávida por uma criação livre dos padrões fechados e obedientes, para haver uma mexida qualitativa na produção da nossa música popular. E já não era sem tempo.


Desde o disco de Cesar Teixeira, Shopping Brazil, lançado há alguns anos, passando pelos lançamentos de Cláudio Lima, de Bruno Batista, Flávia Bitencourt, Lena Machado, Marconi Resende, dentre outros poucos, tem-se sentido na produção musical do Maranhão uma nova perspectiva. Sem receitas, é verdade. Cada um a seu modo buscando, com maior liberdade, inclusive estética, tocar no e/ou do seu lugar, com todas as consequências identitárias e sonoras que essa condição do local traz como resultado. Mas também tocar e cantar no seu tempo, com tudo o que isso significa em termos de informações, influências e compreensão dos avanços tecnológico e comunicacional, numa era de trocas instantâneas, que essa nova geração absorve sem traumas.


O melhor de tudo é que se percebe na música dessa nova turma um profundo zelo também pelo que foi encontrado na prateleira da tradição. Provam que para fazer o novo não é necessário negar o passado, muito pelo contrário.


Um desses novos nomes que surge agora, embora esteja há algum tempo nessa história, é o compositor, cantor e violonista nômade Gildomar Marinho. Nascido em Santa Inês, às margens do Pindaré, crescido musicalmente em Impertriz, na beira do Tocantins, e amadurecido e formado na faculdade de música em Fortaleza-Ce. Na terra de Fagner, Fausto Nilo e Patativa do Assaré, Gildomar teve intensa convivência com a nata da produção musical daquele estado.


Depois de retornar ao Maranhão, na condição de bancário, circula por diversas regiões e municípios, empreendendo também intensa pesquisa musical nos mais diferentes rincões deste plural estado.


Com toda essas matrizes pulsando em seu sangue musical, mas atento aos acontecimentos políticos e culturais do planeta, Gildomar Marinho acaba de gravar, já à disposição do público, o seu primeiro disco, o Olho de Boi. Com esse CD Gildomar nos oferece um trabalho consistente em termos de informações culturais e musicais que apresenta, dando conta do fino e irônico compositor que é.


Seu disco bebe nas fontes dos seus muitos quintais, mas também traz a amplitude de uma parabólica aberta às novas e diferentes informações. De modo que além do samba, do choro, do baião, do forró, do coco, Gildomar Marinho nos apresenta funk, blues, tango e reggae. Tudo isso se sincretizando, abrindo-se ao diferente e ao novo. O resultado não poderia ser melhor. Arranjos inventivos e inovadores, incorporam distintos elementos musicais, sem forçar a barra, criando um disco prazeroso de ouvir do começo ao fim.


Acho que isso também facilitado por dois elementos principais. Primeiro, por Gildomar ser um profundo conhecedor e estudioso musical, daí se permitir fazer combinações, a priori, improváveis; segundo, pela grande qualidade dos músicos que arregimentou para feitura do seu disco, capazes de dar conta, com refinado resultado, dos arranjos e fusões pensados para o seu trabalho de estréia.


Músicos como o violonista Luiz Júnior, o acordeonista Rui Mário, o flautista João Neto, os percussionistas Carlos Piau e Luiz Claudio, o cavaquinhista Robertinho Chinês, o baixista Léo Costa, o guitarrista e arranjador Robertinho Nobre, o baterista Júnior Batera, além do próprio Gildomar no violão, dentre outras feras, deram o timbre instrumental necessário para tornar o cd Olho de Boi um agradável e agora indispensável companheiro de viagem e cabeceira.


Outra figura de agradabilíssima participação presente em Olho de Boi, é a cantora mineira Ceumar que, de Amsterdã na Holanda, gravou participação especial na faixa Alegoria de Saudade, um belíssimo samba-choro de autoria de Gildomar.


Olho de Boi entra definitivamente para a galeria dos melhores discos já produzidos por aqui, que o Brasil e o mundo saberá ouvir.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Morre Aluísio Canhoto

Recebí agora há pouco a triste notícia do falecimento do velho bandolinista maranhense Aluísio Canhoto. Natural de Araioses, Aluísio era presença costumeira em algumas das rodas de choro mais informais de São Luís.

Lembro do velho Aluísio de umas rodas de boemia que aconteciam aos sábados nos bairros do Vinhais e Bequimão. A do Vinhais acontecia alí por trás da Curva do Vento. Começava bem cedo da tarde. Lá se tocava e cantava de tudo. A do Bequimão acontecia um pouco mais tarde no Bar do S. Manoel, pra onde todos se dirigiam após o encontro do Vinhais que acabava sempre por volta das 18 horas.

Nessas rodas, algumas presenças eram assíduas e marcantes. Aluísio, com seu bandolim tocado solto, lembrava um pouco o estilo de Luperce Miranda, era sempre uma presença marcante. Junto com o velho Aluísio estavam sempre nomes como Agnaldo 7 Cordas, acho que seu mais fiel parceiro, o velho Ataíde, o amigo Sena do afoxé, João Evangelista e tantos outros músicos e boêmios de final de semana.

Outro momento importante que vivenciei com Aluísio Canhoto, foi uma tocata na Casa do Six, há uns dez anos, alí na Rua Santo Antônio, em frente ao antigo prédio da Escola de música do Maranhão. Foi um dia inteiro de muito choro, comida, confraternização, bem ao estilo do velho Six. Estavam presentes, além do Six e do Aluísio, nomes Edson 7 Cordas, integrante do grupo Os Ingênuos, da Bahia, o Mario Pereira, grande saxofonista capixaba radicado no Rio, Jorge Cardoso, na época morando em São Luís, hoje um dos maiores bandolinistas do País, além de Juca do Cavaco, Agnaldo, Sena do Afoxé, Solano, Paulo Trabulsi, este humilde blogueiro e tantos outros amigos do Six.

Mas Aluísio, ao lado dos seus fiéis amigos Sena, Zequinha do Sax, Agnaldo 7 Cordas e outros chorões, continuava a fazer suas rodas de choro de caráter mais informal, livre e aberta. Tenho notícia de que estavam se reunindo ainda todos os sábados em um novo barzinho por trás da Igreja do Bequimão.

Ontem mesmo, no Chorinhos e Chorões, fazia menção, no quadro Alô Chorão, ao trio de amigos, Aluísio Canhoto, Sena e Agnaldo 7 Cordas.

O velho Aluísio, com seus 72, partiu. Foi tocar Choro ao lado de Vieira, Capitão Nuna, Zé Hemetério, Lopes Bogéa e outros que foram antes.

Segue em paz velho Canhoto.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

O Urubu Malandro recebe Milla Camões no Clube do Choro.



Essa era a formação original do grupo Urubu Malandro


No 7 cordas, o mestre Domingos Santos, o homem de Miritiba



No trombone de vara, o pequeno gigante Osmar do Trombone, de
Cajarí para o mundo. O homem das muitas gerações


No surdo e voz, o mestre saudoso Antônio Vieira, uma saudade



No cavaquinho, o tricolor Juca do Cavaco, o adjetivável



Na flauta, o inventivo João Neto, o coringa




Na percussão, mestre Arlindo Carvalho, o polivalente.

Essa, com exceção do Mestre Vieira, que já partiu, mas acrescido do jovem Caio Carvalho, ao lado do pai Arlindo na percussão, é a rapaziada que recebe a excelente Milla Camões, neste sábado no Clube do Choro.

Juntar um grupo de bambas instrumentistas como esse à voz e ao talento formidável de Milla Camões, é de fato um prato sonoro raro, oferecido aos mais exigentes paladares musicais.
Bom apetite!

[crédito fotos: Pedro Araújo]

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Bar do Léo: apenas 48 horas para acabar, desaparecer


foto: do blog "Só blônicas"

É isso mesmo. O museu Musicultural "Bar do Léo", com todo o seu rico e significativo acervo da nossa cultura, em suas mais diversas áreas da produção artistica e cultural, tem apenas 48 horas para acabar.

Os imbecís que tomaram essa decisão não conseguem enxergar naquele espaço fabuloso, admirado no Maranhão, no Brasil e até no exterior, algo além de um mero bar. Por isso decretaram o fim do Bar do Léo.

Um lindo e aprazível espaço já visitado e reverenciado por figuras consagradas como Yamandú Costa, a dupla Zé da Velha e Sivério Pontes, Paulinho Pedra Azul, Severino Filho (d'Os Cariocas), Matheus Nachtergaele, Zeca Baleiro, Fagner, Nonato Luís, Turíbio Santos, Luís Nassif e tantos outros.

Leonildo Peixoto, o Léo, acaba de ser informado pelo advogado de sua cooperativa, que só lhe restam apenas 48 horas para desocupar o imóvel que ele tanto zelou e valorizou.

Se você não conhece o Bar do Léo, aproveite, corra, leve os amigos, os filhos, as pessoas que você mais ama. São Luís pode perder nas próximas horas, um dos mais respeitáveis espaços de fruição e deleite cultural.

Se você já o conhece, aproveite hoje, ou quem sabe amanhã, se ainda houver tempo, e se despeça de um dos mais interessantes espaços de vivência boêmio-cultural do país que você já encontrou. Se nada for feito pra impedir essa barbaridade, essa ignorância lapidar, a partir de sábado nem mel nem cabaça. Adeus Bar do Léo.

Por favor, passe essa notícia adiante, pros seus amigos, contatos nacionais, autoridades, enfim, o que você puder fazer.

Talvez, amanhã seja a última sexta feira do Bar do Léo. Vamos todos lá?





terça-feira, 14 de julho de 2009

Urubu Malandro e Milla Camões - outra grande pedida no Clube do Choro


foto: Pedro Araújo

O projeto Clube do Choro Recebe tem sido, há quase dois anos, um espaço privilegiado de vivências e encontros musicais extraordinário. A cada sábado um grupo de Choro diferente recebe um nome deste mosaico musicultural que é o Maranhão. Sem abrir mão de acolher nomes também de outras praças, como já ocorreu com instrumentistas e cantores do Piauí, do Ceará, de Brasília, do Pará e de outras partes do Brasil e do mundo.

O certo é que esta movimentação, em torno do Choro em São Luís, tem provocado inquietações, trocas, influências, reflexões e tem até suscitado novas experiências estéticas na nossa produção musical. O que logo será bem perceptível aos ouvidos mais atentos e sensíveis musicalmente. Isso só pra falar dos aspectos artísticos e estéticos.

Mas outros resultados também já podem ser mensurados e percebidos no campo da economia do Choro e da música de modo geral. O Choro do Maranhão ganhou maior visibilidade interna e externamente. Hoje todas as praças chorísticas do Brasil sabem que no Maranhão tem um movimento de Choro respeitável e com uma cara própria. Em São Luís o mercado para a música instrumental cresceu significativamente a partir dessa movimentação do projeto Clube do Choro Recebe. Temos opções de choro na capital quase todos os dias da semana.

É inegável que o formato do projeto inspirou outras iniciativas. E era isso que se queria. Ver o choro, a música instrumental acontecer. Os nossos grandes instrumentistas sendo protagonistas da nossa cena musical, ao invés de meros acompanhadores de cantores. Hoje os nomes dos caras já são citados como nossas estrelas em seus instrumentos. E isso é bom. Outros nomes ainda vão surgir.

O elo que falta para esse projeto é unir tudo isso com a formação. Sem a formação não há aprimoramento, não há continuidade da história e da cidadania. Esse é um desafio que todos temos. Precisamos pensar juntos como superá-lo.

Vejamos pois o que o jornalista Zema Ribeiro anda anunciando para o próximo sábado, dia 18/07, no Clube do Choro. Por certo, outro belo encontro, que possibilitará novas trocas e um lindo espetáculo de música brasileira do Maranhão:


AS VOLTAS DO URUBU MALANDRO E MILLA CAMÕES

Urubu Malandro volta ao palco do Clube do Choro Recebe. Grupo será anfitrião da cantora Milla Camões.

O grupo Urubu Malandro volta a se apresentar no Clube do Choro Recebe (Restaurante Chico Canhoto, Residencial São Domingos, Cohama), neste sábado (18), a partir das 19h30min. Depois do falecimento de Mestre Antonio Vieira, em abril passado, o grupo formado por Arlindo Carvalho (percussão), Caio Carvalho (percussão), Domingos Santos (violão sete cordas), João Neto (flauta), Juca do Cavaco e Osmar do Trombone fez uma única apresentação: um tributo ao compositor de Cocada, no mesmo palco, dia 9 de maio, quando Vieira completaria 89 anos.

Desta vez a trupe de bambas terá como convidada a cantora Milla Camões, que está em estúdio, finalizando seu disco de estreia, sob a direção musical de Celson Mendes (Quinteto Bom Tom). O lançamento está previsto para acontecer ainda em 2009. No início do mês, Milla realizou o show A caminho (Zig Bar, 4/7), celebrando seus dez anos de carreira.

Sua apresentação anterior no Clube do Choro Recebe já tem mais de um ano. Agora ela volta, acompanhada por outro grupo: “É a primeira vez que canto acompanhada pelo Urubu Malandro. Em homenagem a Seu Vieira vamos fazer Na cabecinha da Dora”, promete Milla Camões, que adianta, ainda, sobre o show, que fará “dois choros clássicos e um repertório mais voltado ao samba e à MPB, como chamam por aí, com canções de Rosa Passos e Caetano Veloso, além de sambistas consagrados como Paulinho da Viola”. Sobre o restante do repertório, ela prefere guardar segredo. E arremata: “espero de coração que saia bem legal e que todos gostem”.

O projeto Clube do Choro Recebe tem apoio cultural de TVN São Luís, Energético Hiro, Honda Gran Line, Rádio Universidade FM e parceria de JL Studios e Solar Consultoria.

SERVIÇO

O quê: Projeto Clube do Choro Recebe – 86ª. edição.
Quem: o grupo Urubu Malandro recebe a cantora Milla Camões.
Quando: dia 18 de julho (sábado), às 19h30min.
Onde: Restaurante Chico Canhoto (Residencial São Domingos, Cohama).
Quanto: R$ 8,00 (entrada).
Maiores informações: pelo telefone [98] 3252-1219 e/ou e-mails ricochoro@hotmail.com, chicocanhoto@ymail.com e/ou clubedochorodomaranhao@gmail.com
Apoio Cultural: TVN São Luís, Energético Hiro, Honda Gran Line, Rádio Universidade FM.
Parceria: JL Studios e Solar Consultoria.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Luciana Rabello no Chorinhos e Chorões








Alguns momentos do bate papo que vai ao ar domingo
Fotos: Henrique Jr.

O programa Chorinhos e Chorões desse próximo domingo, dia 12 de julho, apresenta um bate papo deste humilde blogueiro e radialista com a cavaquinhista carioca Luciana Rabello.

Para quem não conhece, Luciana Rabello é hoje uma das principais referências do Choro em todo o Brasil. Sua participação como exímia cavaquinhista e ativista musical em importantes movimentos e projetos de valorização e difusão do gênero, a coloca, ao lado de nomes como Maurício Carrilho, como uma das principais personagens da renovação do Choro, pós Jacob do Bandolim.

O primeiro grupo de choro que Luciana Rabello fez parte, já em 1977, ao lado do irmão Rafael Rabello - e de outros jovens talentos - , ainda adolescentes, foi Os Carioquinhas. Esse jovem grupo já prenunciava pela qualidade de seus integrantes, os rumos que o choro tomaria daí em diante. E embora o período de longevidade de Os Carioquinhas não tenha sido lá muito longo, mas ainda gerou um belíssimo LP, “Os Carioquinhas no Choro”. Claro, um disco há muito esgotado e até hoje não lançado em cd. Portanto, uma relíquia, quase uma peça arqueológica.

Depois d'Os Carioquinhas, veio a Camerata Carioca no inicio dos anos 80, da qual Luciana também fez parte. A convivência com Radamés Gnattali e com toda uma nova geração de músicos, redefiniria os rumos que o choro tomaria daí em diante nos mais diversos aspectos. Luciana Rabello sempre como figura ativa em todo esse processo de renovação do choro.

Nosso bate papo gira em torno dessas questões todas. Mas, claro, sobra tempo, entre uma conversa e outra, para a gente ouvir algumas belas criações da Luciana, outras pérolas que criaram em sua homenagem e até duas faixas de "Os Carioquinhas no Choro" vão rolar, dentre outras belezas, curiosidades e revelações desse papo.

O Chorinhos e Chorões vai ao ar aos domingos, das 9 às 10 horas da manhã, na Universidade FM.

terça-feira, 7 de julho de 2009

TRIBUTO A VIEIRA NA UNIVERSIDADE


Ricarte Almeida Santos entre os amigos de Vieira que participaram da homenagem

Zema Ribeiro postou em seu blogue, o áudio do Chorinhos e Chorões especial que fizemos em homenagem a mestre Vieira (12/4/2009). Abaixo, em quatro blocos, sem intervalos comerciais, o áudio daquele programa. Viva Vieira!, para sempre vivo em nossa memória.







quinta-feira, 25 de junho de 2009

O Bar do Léo ameaçado de sumir do mapa


foto: Rivânio Almeida Santos

As cidades sempre têm alguns recantos boêmios onde os intelectuais, artistas, políticos e cidadãos/ãs comuns se encontram para bate-papo e outros fins. São músicos interessados em novidades na área, poetas em busca de inspiração, artistas plásticos, pensando as tendências e mudanças na estética artística, articuladores políticos, que se encontram na costura de seus acertos e conchavos. Pessoas simples, trabalhadores que se encontram para uma boa conversa de amigos, ouvir uma música rara ou antiga.

Todos, quase sempre, também interessados em degustar uma boa cerveja, quitutes e outras iguarias. De modo que alguns desses espaços fazem parte da vida das cidades de forma muito marcante. Assumem um valor simbólico e de interação social e cultural que extrapola o mero conversê, a mera bebericagem tão comuns nesses recantos. Incutem novos valores, novos padrões culturais, agregam valor a um bairro e até a uma cidade.

No Maranhão poderíamos lembrar de vários cantos assim com essa simbologia e significação. Um dos mais importantes, algumas décadas atrás, a Movelaria Guanabara, na Rua do Sol, cumpriu um papel destacado no campo das artes pláticas. Os encontros, debates e exposições que lá ocorriam serviram para incutir novos rumos nas artes plásticas do Maranhão.

O Moto Bar, no Largo do Carmo, também teve seus momentos de glória como espaço charmoso de boemia e grandes encontros.

Mais recentemente, há pelo menos 15 anos, o Bar do Léo, no Horto do Vinhais, antiga Cobal, vem cumprindo um papel da maior relevância para aquele entreposto, uma vez que o charme e o zelo do espaço agrega um valor extraordinário àquele mercado. O único horto em pleno funcionamento ainda em São Luís. Em parte, em função do papel chamativo que aquele Bar exerce alí. O Bar do Léo, hoje não é só um bar, ou ponto de encontro de amigos. Vai muito além.

Hoje aquele espaço cumpre um papel que nem mesmo o Estado por aqui tem cumprido. Um espaço de preservação e inovação artístico-cultural. É, são coisas complementares, indissociáveis, apesar de alguns acharem que são inconciliáveis. O Bar do Léo reúne seguramente o maior acervo de música brasileira do Maranhão, quiçá, do Brasil, entre relíquias em milhares de fitas k7, LP's, 78 rotações, rolos e cd's, e lançamentos da fina flor da nossa música. E nesse aspecto o Léo é exigente.

Expõe em suas paredes, tetos e prateleiras, entre centenas de fotografias, gravuras e outras pinturas, uma plural coleção de peças e apetrechos da rica cultura popular brasileira e maranhense. Objetos da cultura indígena, quinquilharias do cotidiano do homem do campo, coisas da floresta, como cipós, vagens e outras espécies raras.


foto: Fafá

Tudo isso convivendo em perfeita conciliação com objetos e exemplares do avanço tecnológico e comunicacional do homem. São antigos e diferentes modelos de telefones; rádios e televisões dos mais variados formatos e épocas; velhas vitrolas, desde gramophones, pequenas radiolas philips à pilha, outras de inúmeros modelos e marcas, até exemplares mais modernos, nos quais Léo toca seus cd's, para o deleite de seus frequentadores.


foto: Rivânio Almeida Santos

E não é só. Não dá para lembrar e descrever à distancia a diversidade do rico acervo cultural daquele belo museu.

O Bar do Léo é hoje um espaço de encontro, enriquecimento cultural e artístico e até de compreensão do desenvolvimento histórico de nossa gente. E isso não é pouco. É tanto que aquele aprazível logradouro musicultural já foi objeto de várias matérias e reportagens locais e nacionais. Algumas das mais importantes revistas e televisões nacionais ja noticiaram o Bar do Léo como algo de um valor ímpar e de profundo significado para a nossa cidade e estado.

Pois não é que agora, movido por não sei lá quais interesses, o governo do Maranhão decidiu não mais renovar o contrato de cessão e uso do espaço onde funciona o referido museu, digo, Bar do Léo?

O ocupante do pomposo cargo de "Supervisor de Gestão de Bens Terceirizados", da Secretaria de Estado de Administração e Previdência Social, acatando parecer de um Procurador do Estado, Raimundo Soares de Carvalho, está procedendo os encaminhamentos para a efetivação da retirada do Bar do Léo e a consequente licitação do Espaço. Argumentam que o Bar do Léo foge às finalidades contratuais/estatutárias, sei lá o quê.

Leia trechos do parecer do douto Procurador: "(...) contrários à prorrogação (...) e recomendamos que à Administração (...) promova a recisão de contrato (...) instaurando a seguir procedimento licitatório para transferência da posse do imóvel (...)".

Esse legalismo morto, sem sentido para a vida e para a cultura, que pode até mesmo inviabilizar o horto-mercado do Vinhais, aparentemente pode parecer algo direcionado ao Bar do Léo. Mas ele pode ser tão somente o bode espiatório para ocultar outros interesses.

Um amigo me chamava a atenção: a corrida imobiliária está desencadeando junto a grupos poderosos interesses econômicos importantes na Ilha. As mudanças e investimentos na cidade alteram e revalorizam espaços e regiões da cidade. A especulação imobiliária sempre tira proveito. E os interesses econômicos sempre muito bem situados politicamente não perdem oportunidade de colocar o público a serviço do privado.

O Bar do Léo se situa numa área de grande crescimento comercial e habitacional de classe média alta. Aquele horto com a finalidade que tem, de agregar pequenos feirantes cooperativados, pode estar com os dias contados. O Léo pode ser apenas o primeiro a sair, para decretar a decadência do lugar.

Quem sabe depois surja alí um belíssimo e asséptico mini-shoping, onde tudo parece a mesma coisa e todo mundo é apenas mais um consumidor.

Pode ser assim?

quarta-feira, 24 de junho de 2009

O texto (sobre Sarney) que gostaria de ter escrito




Sabe aquele filme que gostaríamos de ter dirigido; aquela música que gostaríamos de ter sido o autor, enfim. Sabe aquele texto que gostaríamos de escrever?

Bom, o texto eu acabei de encontrar: "Sarney, o homem incomum", do jornalista Leandro Fortes. Fortes, com uma verve navalhar afiadíssima, chama atenção para o tratamento que a grande mídia, especialmente a brasiliense, dedica a Sarney, como uma espécie rara de ser. Um homem cheio de boas virtudes. Bom orador, um literato, portador de grande capacidade de negociação e ponderação.

Leandro Fortes vai categoricamente desmontando essa aura de superioridade, contrastando-a com a miséria que grassa o Maranhão nas mais de quatro décadas de mando saneysista; com o esquema montado nas estruturas do Estado para favorecimento pessoal, familiar e dos apaniguados.

Por fim, Fortes lembra o caso do Juiz Jorge Moreno, defenestrado de suas funções judicantes por contrariar o grupo político do grande oligarca. Outra face do "estadista" de Curupu.

Sarney, o homem incomum
por Leandro Fortes

Há anos, nem me lembro mais quantos, os principais colunistas e repórteres de política do Brasil, sobretudo os de Brasília, reputam ao senador José Sarney uma aura divinal de grande articulador político, uma espécie de gênio da raça dotado do dom da ponderação, da mediação e do diálogo. Na selva de preservação de fontes que é o Congresso Nacional, estabeleceu-se entre os repórteres ali lotados que gente como Sarney – ou como Antonio Carlos Magalhães, em tempos não tão idos – não precisa ser olhada pelas raízes, mas apenas pelas folhagens. Esse expediente é, no fim das contas, a razão desse descolamento absurdo do jornalismo brasiliense da realidade política brasileira e, ato contínuo, da desenvoltura criminosa com que deputados e senadores passeiam por certos setores da mídia.

Olhassem Sarney como ele é, um coronel arcaico, chefe de um clã político que há quatro décadas domina a ferro e fogo o Maranhão, estado mais miserável da nação, os jornalistas brasileiros poderiam inaugurar um novo tipo de cobertura política no Brasil. Começariam por ignorar as mentiras do senador (maranhense, mas eleito pelo Amapá), o que reduziria a exposição de Sarney em mais de 90% no noticiário nacional. No Maranhão, a família Sarney montou um feudo de cores patéticas por onde desfilam parentes e aliados assentados em cargos públicos, cada qual com uma cópia da chave do tesouro estadual, ao qual recorrem com constância e avidez. O aparato de segurança é utilizado para perseguir a população pobre e, não raras vezes, para trucidar opositores. A influência política de Sarney foi forte o bastante para garantir a derrubada do governador Jackson Lago, no início do ano, para que a filha, Roseana, fosse reentronizada no cargo que, por direito, imaginam os Sarney, cabem a eles, os donatários do lugar.

José Sarney é uma vergonha para o Brasil desde sempre. Desde antes da Nova República, quando era um político subordinado à ditadura militar e um representante mais do que típico da elite brasileira eleita pelos generais para arruinar o projeto de nação – rico e popular – que se anunciava nos anos 1960. Conservador, patrimonialista e cheio dessa falsa erudição tão típica aos escritores de quinta, José Sarney foi o último pesadelo coletivo a nós impingido pela ditadura, a mesma que ele, Sarney, vergonhosamente abandonou e renegou quando dela não podia mais se locupletar. Talvez essa peculiaridade, a de adesista profissional, seja o que de mais temerário e repulsivo o senador José Sarney carregue na trouxa política que carrega Brasil afora, desde que um mau destino o colocou na Presidência da República, em março de 1985, após a morte de Tancredo Neves.

Ainda assim, ao longo desses tantos anos, repórteres e colunistas brasileiros insistiram na imagem brasiliense do Sarney cordial, erudito e mestre em articulação política. É preciso percorrer o interior do Maranhão, como já fiz em algumas oportunidades, para estabelecer a dimensão exata dessa visão perversa e inaceitável do jornalismo político nacional, alegremente autorizado por uma cobertura movida pelos interesses de uns e pelo puxa-saquismo de outros. Ao olhar para Sarney, os repórteres do Congresso Nacional deveriam visualizar as casas imundas de taipa e palha do sertão maranhense, as pústulas dos olhos das crianças subnutridas daquele estado, várias gerações marcadas pela verminose crônica e pela subnutrição idem. Aí, saberiam o que perguntar ao senador, ao invés de elogiar-lhe e, desgraçadamente, conceder-lhe salvo conduto para, apesar de ser o desastre que sempre foi, voltar à presidência do Senado Federal.

Tem razão o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao afirmar, embora pela lógica do absurdo, que José Sarney não pode ser julgado como um homem comum. É verdade. O homem comum, esse que acorda cedo para trabalhar, que parte da perspectiva diária da labuta incerta pelo alimento e pelo sucesso, esse homem, que perde horas no transporte coletivo e nas muitas filas da vida para, no fim do mês, decidir-se pelo descanso ou pelas contas, esse homem comum é, basicamente, honesto e solidário. Sarney é o homem incomum. No futuro, Lula não será julgado pela História somente por essa declaração infeliz e injusta, mas por ter se submetido tão confortavelmente às chantagens políticas de José Sarney, a ponto de achá-lo intocável e especial. Em nome da governabilidade, esse conceito em forma de gosma fisiológica e imoral da qual se alimenta a escória da política brasileira, Lula, como seus antecessores, achou a justificativa prática para se aliar a gente como os Sarney, os Magalhães e os Jucá.

Pelo apoio de José Sarney, o presidente entregou à própria sorte as mais de seis milhões de almas do Maranhão, às quais, desde que assumiu a Presidência, em janeiro de 2003, só foi visitar esse ano, quando das enchentes de outono, mesmo assim, depois que Jackson Lago foi apeado do poder. Teria feito melhor e engrandecido a própria biografia se tivesse descido em São Luís para visitar o juiz Jorge Moreno. Ex-titular da comarca de Santa Quitéria, no sertão maranhense, Moreno ficou conhecido mundialmente por ter conseguido erradicar daquele município e de regiões próximas o sub-registro civil crônico, uma das máculas das seguidas administrações da família Sarney no estado. Ao conceder certidão de nascimento e carteira de identidade para 100% daquela população, o juiz contaminou de cidadania uma massa de gente tratada, até então, como gado sarneyzista. Por conta disso, Jorge Moreno foi homenageado pelas Nações Unidas e, no Brasil, viu o nome de Santa Quitéria virar nome de categoria do Prêmio Direitos Humanos, concedido anualmente pela Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República a, justamente, aqueles que lutam contra o sub-registro civil no País.

Em seguida, Jorge Moreno denunciou o uso eleitoral das verbas federais do Programa Luz Para Todos pelos aliados de Sarney, sob o comando, então, do ministro das Minas e Energia Silas Rondeau – este um empregado da família colocado como ministro-títere dentro do governo Lula, mas de lá defenestrado sob a acusação, da Polícia Federal, de comandar uma quadrilha especializada em fraudar licitações públicas. Foi o bastante para o magistrado nunca mais poder respirar no Maranhão. Em 2006, o Tribunal de Justiça do Maranhão, infestado de aliados e parentes dos Sarney, afastou Moreno das funções de juiz de Santa Quitéria, sob a acusação de que ele, ao denunciar as falcatruas do clã, estava desenvolvendo uma ação político-partidária. Em abril passado, ele foi aposentado, compulsoriamente, aos 42 anos de idade. Uma dos algozes do juiz, a corregedora (?) do TRE maranhense, é a desembargadora Nelma Sarney, casada com Ronaldo Sarney, irmão de José Sarney.

Há poucos dias, vi a cara do senador José Sarney na tribuna do Senado. Trêmulo, pálido e murcho, tentava desmentir o indesmentível. Pego com a boca na botija, o tribuno brilhante, erudito e ponderado, a raposa velha indispensável aos planos de governabilidade do Brasil virou, de um dia para a noite, o mascate dos atos secretos do Senado. Ao terminar de falar, havia se reduzido a uma massa subnutrida de dignidade, famélica, anêmica pela falta da proteína da verdade. Era um personagem bizarro enfiado, a socos de pilão, em um jaquetão coberto de goma.

Na mesma hora, pensei no povo do Maranhão.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

A musical Viana

Há muito que a cidade de Viana me chama a atenção. E não é só por sua beleza arquitetônica, nem tão somente pela bela paisagem natural que a rodeia, cheia de verdes campos e lindos lagos. Embora esses dois atributos já fossem suficientes para despertar uma atenção especial em qualquer alma sensível. Mas o que também me chama muito a atenção em Viana é a musicalidade de sua gente.

É impressionante a quantidade de grandes músicos, instrumentistas, cantores, compositores, alguns renomados, outros anônimos, oriundos da pequena e histórica Viana, nas mais diferentes épocas.E isso fica mais evidente quando o assunto são os músicos de sopro - saxofonistas, clarinetistas, trombonistas, flautistas etc. Eu, como interessado por música instrumental, especialmente pelo Choro no Maranhão, sempre fiquei inquietado por tão expressiva força musical/instrumental daquela centenária Cidade.

Os estudos do saudoso Pe. Mohana já apontavam essa vocação musical de Viana, ainda que muito possa se investigar sobre essa sua característica.

Esta semana, em função das enchentes que assolam o Maranhão, pude visitar a Cidade e, além das ações de socorro aos desabrigados que empreendemos por lá, na condição de integrante da Cáritas Brasileira, pude constatar in loco essas reminiscências musicais de Viana.

Enquanto aguardávamos o carregamento de um caminhão com donativos aos desabrigados de Viana eu pude verificar bem em frente ao Armazém a existência de uma pequena alfaiataria. Tipo de estabelecimento quase em extinção por lá e por aqui. Entrei e puxei conversa com o velho alfaiate, cercado de paletós, calsas, camisas, que lentamente costurava uma nova peça.

Seu Joca, como é conhecido, me revelou que o ofício está quase desaparecendo em Viana, uma vez que os jovens de hoje não têm mais interesse em aprender a arte de costurar. Lamentava ele ao dizer que em outros áureos tempos os inúmeros alfaiates vestiam toda a grã finagem da cidade para os muitos bailes de orquestras que animvam com grande frequência a, então, auspiciosa Viana. Eram muitas as orquestras, diversos eram os mestres de bandas por lá.


[o músico e alfaiate Joca - foto: ricarte]

Seu Joca - na verdade seu nome é João Batista Franco -, neto de Saturnino Franco, antigo clarinetista, com os olhos marejados d'água me confidenciou também ser um músico de sopro. Falou com enorme saudade dos tempos dos muitos bailes que ajudava a animar e vestir, com os dois nobres ofícios que aprendeu. Tocar e costurar.


[uma antiga Orquestra de Viana - S. Joca de camisa listrada - foto da foto: ricarte]

Espalhando sobre a mesa de cortar tecidos diversas fotos antigas de músicos e instrumentistas com quem tocou, me confidenciou com uma ponta de satisfação e bom orgulho, tocar todos os intrumentos de bocal, como trombone, pistom, bombardino, barítono e até tuba.


[roda musical doméstica - S. Joca ao centro(trombone) - foto da foto: ricarte]

Falou sobre alguns músicos importantes da cidade que sempre incentivaram o ensino e a prática da música instrumental, a exemplo do mestre Astolfo, um velho saxofonista e clarinetista ainda vivo e dos professores Tarcísio e João Lobato. Os dois últimos ainda desempenham a tarefa quase missionária do ensino da música em Viana. Daí a continuidade dessa cultura musical na hoje modesta cidade.


[S. Joca (trombone) e o velho mestre Astolfo(sax) - duas gerações musicais de Viana - foto da foto: ricarte]

Outra reminiscência da forte e saudosa musicalidade vianense encontrei bem ao lado da alfaiataria. Uma humilde casinha branca ostenta uma singela placa de metal com os seguintes dizeres: "ACADEMIA VIANENSE DE LETRAS - Neste local existia a casa onde residiu o compositor Temístocles Lima, autor da música do Hino Vianense". No mínimo, isso tudo revela que essa história de música em Viana tem um valor para sua gente, que é sua própria identidade.


[casa histórica - foto: ricarte]


[placa da casa do maestro Temístocles Lima - foto: ricarte]

Penso ser aquela cidade - e outras da baixada - um acervo, um patrimônio musical preciosíssimo a ser investigado e pesquisado. Será tarefa de todos nós, estudiosos, militantes, músicos, agentes culturais, enfim, de todos os que querem compreender o passado, entender o presente e construir o futuro da nossa música.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

As enchentes no Maranhão
















Passo a postar dois escritos sobre as cheias no nosso Estado.Um triste Estado. O primeiro texto é uma reflexão que Cáritas, instituição na qual trabalho, propõe frente ao quadro trágico em que vivem milhares de maranhenses todos os anos.

O outro, é um depoimento do pe. José, de uma das paróquias de Codó, relatando a triste e desesperadora situação do município com risco,inclusive, de epidemias. Que Deus nos proteja!

AS ENCHENTES E OS ATINGIDOS PELO “DESENVOLVIMENTO”:
UM GRITO DE SOLIDARIEDADE

O modelo de desenvolvimento em curso no Brasil e no Maranhão tem sacrificado profundamente a sócio-biodiversidade. O destino de grandes glebas de terras e o uso abusivo dos recursos naturais vem sendo a base de fortalecimento para esse modelo, e com isso desencadeando um processo recorrente de destruição tanto no espaço urbano como no rural.

Todos/as têm pago um preço muito alto ante o avanço irrefreável, por exemplo, do agronegócio, especialmente no Maranhão. E a investida do capital é cada vez maior no sentido de ampliar suas áreas de atuação. Os impactos por conta disso já são violentamente sentidos.

Se já não bastasse a expulsão dos trabalhadores e trabalhadoras de suas terras para dar lugar às monoculturas de soja, eucalipto, cana de açúcar, dentre outras culturas-“moda”, no bojo da discussão dos agrocombustíveis; se não bastasse o Maranhão ser o maior fornecedor de mão de obra escrava do país; de ostentar graves indicadores de violência doméstica, de exploração sexual infanto-juvenil, da vulnerabilidade de grande parte de sua população, como consequência do atual modelo (de desenvolvimento) econômico, agora outra face dos impactos ambientais se aprofunda a cada ano – com grandes variações pluviométricas provocando as enchentes, aumento na temperatura ambiental, períodos prolongados de estiagem na Amazônia etc.

São as enchentes que atingem violentamente milhares de maranhenses. Já são mais de 130 mil atingidos pelas fortes chuvas.(são mais de 25 mil desalojados e mais de 22 mil desabrigados, mais de 1500 km de estradas atingidos e seis óbitos em todo o estado). Existe ainda a ameaça de rompimento da Barragem do Flores que aprofundaria mais ainda o quadro, caso suas comportas não suportem a força das águas. E aí o tamanho da tragédia seria imprevisível.

A cada ano o quadro se agrava. Isso nos mostra que o nível dos impactos são crescentes e acumulativos. Isso nos revela também que medidas paliativas, imediatistas, assistenciais e emergenciais embora importantes, necessárias e urgentes, não são suficientes para resolver os problemas causados anualmente pelas cheias dos principais rios que cortam o Maranhão.

O nosso esforço tem que ser também na perspectiva dos Direitos Humanos. E nesse sentido a busca de diálogo extrapola as ações de socorro imediato. O poder público precisa responder com ações concretas de efetivação do direito à moradia digna, de ações preventivas e estruturantes. E para isso necessita ser provocado, demandado. A mobilização social para o controle e incidência política deve ser, também, nossa estratégia.

Nesse sentido, precisamos envolver, inclusive, o Ministério Público, os órgãos de controle ambiental, o poder executivo nas três esferas, e a sociedade civil para uma grande mobilização e reflexão, visto que, se o curso dos grandes projetos continuarem na mesma velocidade, as tragédias serão cada vez maiores, previsíveis anunciadas anualmente. E quem mais sofre com elas são as populações mais empobrecidas, que são mais vulneráveis. E há até quem possa ganhar com isso.

No entanto, o quadro atual é muito grave e urgente. As necessidades dos nossos irmãos e irmãs atingidos pelas cheias no Maranhão são muitas. Precisamos, como Igreja de Deus, nos mobilizar para junto construirmos saídas de superação do atual quadro. A situação dos abrigos abarrotados de homens, mulheres, jovens, crianças e idosos em condições precárias de higiene, é ambiente propício para a proliferação de doenças respiratórias, de pele, e até de epidemias. Já são comuns ataques de animais peçonhentos dentro das casas, enfim, são graves e variados os problemas enfrentados pelos desabrigados/as.

Além do socorro imediato, pois na emergência não se pode esperar, é preciso também lutar por políticas públicas efetivas para as populações atingidas. Cobrar das autoridades a aplicação correta dos donativos e recursos públicos destinados aos atendimentos.

Além dos centros urbanos a destruição acontece também nas comunidades rurais deixando as famílias completamente desabastecidas de alimentos e sem perspectivas de produção, comprometendo a segurança alimentar. É necessário desenvolver projetos produtivos para os/as agricultores/as que tiveram sua produção perdida com as cheias, dentre outras ações de apoio e amparo imediato. Ações de organização dos atingidos, inclusive para controle social dos recursos públicos (que podem ser manipulados e desviados por maus gestores públicos), gerando assim protagonismo, autonomia, conquista e efetivação dos Direitos


Cáritas Brasileira Regional Maranhão

ENCHENTES!

Queridos Amigos(as) e Irmãos(ãs),


Aqui algumas notícias e fotos sobre as enchentes no Nordeste, especialmente na nossa cidade de Codó e na Paróquia São Raimundo.
A água do rio subiu tanto que cobriu até casas inteiras, que antes estavam distantes da água. A primeira enchente aconteceu dia 21 a 24 de Abril. A água subiu muito, invadiu casas no bairro Santo Antônio, mas a situação ainda foi controlada. Devido às contínuas chuvas, o rio subiu ainda muito mais na noite de 3 a 4 de Maio. Aí virou caos mesmo. Muitas ruas inundadas, milhares de pessoas desabrigadas. O total em Codó: 889 famílias e 3.206 pessoas desabrigadas. Destas, 58 famílias e quase 300 pessoas estão hospedadas nas creches e centros da nossa Paróquia São Raimundo. Também a família do nosso Diácono Francisco (O Juninho) precisava ser evacuada. Graças a Deus não sofreu doenças e grandes prejuízos. Danificou um pouco a casa.

Os carros da comunidade que ajudaram gratuitamente (junto com a nossa Toyota da Paróquia São Raimundo) e os carros da Prefeitura nem deram conta. Muita gente perdeu muitas coisas: camas, armários, colchões, TV, a produção de arroz do ano passado e outros. Graças a Deus as famílias são pobres, neste sentido que as poucas coisas que tem cabem facilmente em cima de um carrinho ou então na nossa Toyota. E foi tudo muito rápido. Onde pouco tempo antes circulavam ainda motos, bicicletas e carros, andaram agora lanchas e barcas. Os nossos jovens e outros carregaram voluntariamente e gratuitamente o dia todo as coisas das pessoas, caminharam longos trechos nas “ruas”, até com a água no pescoço, porque os veículos não puderam mais entrar. Salvaram o que conseguiram.

O que agrava a nossa situação é o fato de que o rio Itapecuru estar ligado com um brejo com água parada. A água do rio subiu e conseqüentemente também do brejo. Aí tem muitas casas na beira do brejo. Toda a área está sem esgoto, isto é, cada um tem a sua fossa no quintal e joga o lixo no brejo no fundo do quintal. A enchente cobriu as fossas e levou toda a sujeira de anos acumulada para dentro das casas e nas ruas. Muita gente que tinha contato com a água está com micoses, coceiras, febre e calafrios. O grande perigo é agora toda esta situação provocar epidemias descontroladas.

Diariamente visitamos as vitimas das enchentes nos nossos centros da Paróquia. Cada história é emocionante. Hoje me contou uma mulher que casou na igreja (inclusive fui eu que fiz o casamento) e o marido foi para São Paulo trabalhar para poderem construir a sua casa em Codó. Mas ele se amigou com outra e nem quer saber mais nada da mulher dele em Codó. Ela então cria os filhos dela sozinha. A filha mais velha dela, solteira, morreu dois anos atrás e deixou mais cinco filhos pequenos. Junto com os dela mesma são 10. A mulher se vira, é trabalhadora, vende verduras no mercado. Trabalho duro, mas dá para sobreviver. Morava em casa alugada. A casa foi agora totalmente destruída pelas enchentes. O dono não quer mais construí-la. Armário, roupas e redes foram levados pelas águas. “Onde morar agora, viver de que,” ela lamentou. Na prefeitura ela já foi, pedindo uma casa nova. A prefeitura prometeu de construir, mas isso vai levar meses. Onde morar então? – São casos e histórias que tocam no coração da gente.

As famílias estão agradecidas por poderem estar e se hospedar no nosso centro por tempo indeterminado e receber ajuda de várias pessoas.
A água está abaixando, devagar. E agora se vêem os estragos e danos: muros e paredes caídos, das casas de taipa somente sobrou a estrutura de madeira, todo o barro se foi embora, buracos enormes nas ruas, uma catinga insuportável. Sujeira e merda nas casas e ruas e perigo de epidemias. O segundo choque depois das enchentes será aquele quando as pessoas querem voltar para as suas casas e as encontram em parte ou totalmente destruídas.

Finalmente três observações:
1. Enchentes destroem, solidariedade salva. Solidariedade é a palavra e atitude principal neste tempo, sem sentimentalismo. Não falar muito e sim fazer: Entrar na lama, na água suja, ajudar, carregar coisas e pessoas. Assim vive a igreja, assim se aliviam sofrimentos, renascem esperanças, assim se carregam juntos preocupações e dores.

2. Totalmente ao contrário aos nossos irmãos crentes. Parece para eles só conta a oração. Perguntaram eles se famílias pudessem se hospedar na igreja deles. Negaram dizendo que a igreja deles é casa de oração e não de hospedagem. – Cadê a solidariedade? “O que fizeram a um destes pequeninos foi a mim que fizeram.” Eu me sinto bem na nossa igreja!

3. Várias pessoas me disseram: “Isso acontece porque Deus quis!” Eu me revoltei: Deus não quis, isto é fruto do pecado, da ganância do homem. É ele que maltrata a irmã natureza, desmata, polui ar e águas, é responsável pelo aquecimento global. A natureza não aquenta e responde. Se o homem a respeitasse como obra de Deus e tratasse com carinho, ela teria também carinho conosco e nos servia com alegria. – E Deus só quer o nosso bem, ele não castiga e nem mente. Ele prometeu no seu filho Jesus: “Eu sou o Bom Pastor, eu dou a minha vida pelas ovelhas.” Tudo por amor. Talvéz a nossa comunidade possa um pouco testemunhar esta face de Deus nestes dias.

Codó, 07 de Maio de 2009

Pe. José Wasensteiner
[fotos enviadas pelo pe. José]

terça-feira, 14 de abril de 2009

D. Xavier Gilles, um pastor de pena afiada, profética


Não é de hoje a postura comprometida, com as lutas populares, do atual Bispo de Viana. Desde quando era um simples padre em São Benedito do Rio Preto e em São José de Ribamar, nas décadas de 70 e 80, Xavier Gilles sempre foi um calo no sapato dos poderosos. Na época da ditadura, foi preso e processado como subversivo, uma ameaça à segurança nacional.

Hoje, bispo de Viana, presidente do Regional Nordeste 5 (Maranhão) da CNBB, presidente da CPT Nacional, D. Xavier continua caminhando e gritando ao lado dos mais fracos.

Na carta, abaixo, o Pastor mais uma vez bota o dedo na ferida e a boca no trombone. Xavier chama atenção para o momento delicado que se vive no Maranhão e no Brasil e da crescente ameaça de retrocesso aos Direitos Humanos e à Democracia.

Dono de um estilo claro e contundente, em sua última carta, o Dom traz algumas afirmativas do tipo: "(...) não vivemos num Estado de Direito pleno: com efeito, as leis republicanas não passam de uma ferramenta e de uma arma a ser utilizada para combater, condenar e neutralizar os adversários e os inimigos políticos, ao passo que parentes, amigos e aliados são isentados do respeito e da obediência às leis; e acobertados em casos de crimes. Vivemos num clima de permanente atentado à legalidade, em que, com menor ou maior habilidade, são resguardadas porém as aparências e as formalidades das instituições democráticas."

Leia, pois, a íntegra da nota do Bispo.

Transtorno bipolar
Anotações pastorais sobre a conjuntura política do Maranhão.

“No meio da multidão, alguns fariseus disseram a Jesus: «Mestre, manda que teus discípulos se calem.» Jesus respondeu: «Eu digo a vocês: se eles se calarem, as pedras gritarão.»” (Lc 19, 39-40).

Queridas irmãs e queridos irmãos,

Também neste momento grave e preocupante, em que assistimos a mudanças e transtornos institucionais no nosso Estado, não consegui me calar. Considero, com efeito, que é incômodo dever do pastor tentar, sobretudo em conjunturas difíceis, delicadas e desafiadoras como esta que estamos vivendo, buscar a verdade e colaborar na procura de horizontes e rumos favoráveis ao bem comum, à justiça e aos direitos, sobretudo dos mais humildes e esquecidos.

Os últimos acontecimentos políticos e judiciários nos revelam, mais uma vez e de modo incontestável, que não vivemos num Estado de Direito pleno: com efeito, as leis republicanas não passam de uma ferramenta e de uma arma a ser utilizada para combater, condenar e neutralizar os adversários e os inimigos políticos, ao passo que parentes, amigos e aliados são isentados do respeito e da obediência às leis; e acobertados em casos de crimes. Vivemos num clima de permanente atentado à legalidade, em que, com menor ou maior habilidade, são resguardadas porém as aparências e as formalidades das instituições democráticas.

No nosso País as instituições republicanas têm pouco mais de um século de vigência, mas somente nestes últimos vinte anos tentamos construir a nossa historia livres dos regimes de exceção e do estado de sítio.

Permanecem, todavia, ameaças à democracia vindas de setores elitistas reciclados no âmbito democrático após a ditadura militar e que nunca acreditaram no povo como gerador e garante dos poderes republicanos. Parece inegável, assim, a existência de uma rearticulação antidemocrática, que se insinua nos procedimentos jurídicos para subverter a legalidade e a verdade. A tradição monárquica de um Poder Executivo, prioritário e conciliador de instituições e interesses, permanece quase intacta. Poucos se preocupam com o fato que Juizes Federais e Estaduais sejam indicados e nomeados pelos mandatários políticos, atentando à constitutiva autonomia do Poder Judiciário.

Assistimos, assim, ao processo de criminalização dos movimentos sociais e dos defensores dos direitos humanos e, na lógica de dois pesos e duas medidas, ao tratamento privilegiado de “empresários” invasores de áreas indígenas.

Tenho mais um motivo de angustia: a lógica financeira domina as eleições e, o que é mais grave, se reforça em todos os partidos a convicção da inevitabilidade, ou pior, da naturalidade da corrupção, ao ponto que a corrupção virou sistêmica. Faz mister afirmar, lembrando Raimundo Faoro, que no Maranhão, ainda não temos Estado, mas um estamento; não temos respeito e serviço ao bem comum, mas articulações patrimonialistas.

O próprio Presidente do STF, Ministro Gilmar Mendes, afirmou recentemente que o financiamento público de campanhas eleitorais só será viável após uma reforma no sistema político do país. Segundo o Ministro, atualmente não seria possível evitar que os partidos políticos recebam recursos privados não declarados, para financiar as campanhas eleitorais. Desta forma, a Camargo Corrêa, junto com outros empresários e banqueiros, é sumariamente inocentada. Como todos são corruptos, logo todos são inocentes; ao ponto que podemos até enterrar a tradicional distinção entre corruptos e corruptores.

Deixe-me comunicar-lhes mais uma profunda inquietação: a política atual continua subjugada às estratégias populares de reprodução a vida e ao jogo de interesses das elites empresariais.

Podemos e devemos defender a política entendida como construção do bem comum, segundo as orientações da Doutrina Social da Igreja Católica, mas não podemos fechar os olhos diante da sua redução sistêmica à garantia de sobrevivência de boa parte da população do nosso Estado. Na absoluta maioria dos casos, a economia dos nossos municípios está nas mãos das prefeituras e a alternância de gestores, mais do que responder a um saudável princípio democrático, não passa de um expediente para privilegiar eleitores e excluir adversários do acesso às vagas do funcionalismo público.

É desta fonte que nascem as facções, sem consciência e sem inspiração ética e ideológica. É desta fonte que é gerada a violência política como meio extremo para defender a economia familiar. É desta fonte que vem a calmaria da movimentação social, silenciada ou cooptada – até nas suas lideranças mais expressivas – pelos governos.

Como podemos pensar o nosso testemunho evangélico neste quadro tão tosco e sombrio? Como podemos acolher o dom divino da Esperança? Como podemos enxergar a presença do Reino de Jesus nos caminhos da história? Como podemos testemunhar a Páscoa de Ressurreição - e a insurreição das consciências - para construirmos caminhos de fraternidade, liberdade e justiça.

Antes de tudo, devemos apostar na capacidade das nossas comunidades de evangelizar e testemunhar a fé que a historia humana e a historia do Maranhão estão nas mãos de Deus. Como nos diz Paulo num trecho da Carta aos Romanos, cap. 8, vv. 18-23:
“18 Penso que os atuais sofrimentos não se comparam a gloria futura que em nós se revelará 19 A própria criação espera, com impaciência, a revelação dos filhos de Deus. 20 Entregue ao poder do nada - não por sua vontade, mas por vontade de quem quis submetê-la, -, a criação hospeda a esperança 21 porque ela também será libertada da escravidão da corrupção, para participar da liberdade e da glória dos filhos de Deus.
22 Sabemos que a criação toda geme e sofre as dores do parto até hoje. 23 E não só a criação, mas nós também, que possuímos as primícias do Espírito, gememos no nosso íntimo, esperando a adoção e a libertação do nosso corpo."

Porque temer? O medo que pode paralisar a nossa fala e o nosso testemunho foi derrotado pela fé pascal em Cristo Jesus.

Recomendo, enfim, que possa continuar a nossa colaboração com a Campanha “Ficha limpa” e com o Movimento contra a corrupção eleitoral e administrativa. O meu apelo e a minha bênção especial vão agora para as nossas valiosas Pastorais Sociais: possam ser parteiras da gestação do Reino na nossa sociedade, propiciando o protagonismo dos pobres e dos nossos povos.

A minha bênção a todos vocês irmãs e irmãos em Cristo, junto com os votos de uma Páscoa santa e libertadora.

Dom Xavier Gilles
Bispo de Viana
Presidente da CNBB NE V

São Luís do Maranhão, 13 de abril de 2009


Cassado o prefeito de São Mateus

Soube agora há pouco, por fontes fidedígnas, que o prefeito "eleito" de São Mateus, Coronel Rovélio, acaba de ser cassado pela justiça. A cidade está em festa. O povo tomou conta das ruas.

Ainda cabe recurso, mas as provas contra o prefeito cassado são robustas e abundantes. Vamos aguardar o desfecho dos acontecimentos.

Vale lembrar que em São Mateus, após o resultado das urnas, houve um levante popular de grande repercussão. Com a cassação do Coronel quem assume é o advogado e jornalista Miltinho Aragão.

Em breve voltaremos com mais informações sobre o caso.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Jorge Moreno e Paulo Henrique Amorim














Aposentado compulsoriamente pelo "egrégio" TJ-MA, o juiz Jorge Moreno concedeu entrevista ao Jornalista Paulo Henrique Amorim. Veja neste link o resultado da conversa e tire suas conclusões sobre o caráter do Judiciário Maranhense. Se é que ainda não tem.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Alexandra Nicolas no Clube do Choro






Depois de alguns anos afastada dos palcos, a cantora Alexandra Nicolas está de volta. Será a convidada do projeto Clube do Choro Recebe, neste sábado, dia 11 de abril, quando será acompanhada pelo versátil Instrumental Pixinguinha. Veja maiores detalhes no texto abaixo, da assessoria de imprensa do Clube do Choro do Maranhão.


MALHAÇÃO DE CHORO

Sábado de aleluia é sábado de choro em São Luís: o Instrumental Pixinguinha recebe a cantora Alexandra Nicolas no palco do Clube do Choro Recebe. Nem feriado nem dia santo: sábado de aleluia é sábado de choro em São Luís.


É o Clube do Choro Recebe, que em sua 76ª. edição promove o encontro entre os talentos do Instrumental Pixinguinha, um dos mais versáteis grupos de choro da capital maranhense, com a cantora Alexandra Nicolas, que também esbanja versatilidade. Domingos Santos (violão sete cordas), João Neto (flauta), Juca do Cavaco, Lazico (percussão) e Raimundo Luiz (bandolim) receberão a cantora que passeará por um repertório das décadas de 30 e 40 do século passado, para lembrar a áurea época do rádio brasileiro.


Alexandra Nicolas começou cedo na música: acompanhava o pai em rodas de choro e samba e, aos 17 anos, já se apresentava em São Luís, com bilheterias esgotadas em espaços como a Éden Galeria, Teatro Alcione Nazaré e Hotel Quatro Rodas. Já gravou com nomes como Hilton Assunção, Marcelo Carvalho, Pepê Jr., Papete e Beto Pereira, entre outros. Sua apresentação, neste sábado (11), é um reencontro com os palcos maranhenses.


O Projeto Clube do Choro Recebe tem Apoio Cultural de TVN São Luís, Energético Hiro, Clinimagem, Honda Gran Line, Rádio Universidade FM e JL Studios e parceria da Solar Consultoria.

SERVIÇO
O quê: Projeto Clube do Choro Recebe – 76ª. edição.
Quem: o grupo Instrumental Pixinguinha recebe a cantora Alexandra Nicolas.
Quando: dia 11 de abril (sábado), às 19h.
Onde: Restaurante Chico Canhoto (Residencial São Domingos, Cohama).
Quanto: R$ 6,00 (entrada).
Maiores informações: pelo telefone [98] 3252-1219 e/ou e-mails ricochoro@hotmail.com e clubedochorodomaranhao@gmail.com
Apoio Cultural: TVN São Luís, Energético Hiro, Clinimagem, Honda Gran Line, Rádio Universidade FM e JL Studios. Parceria: Solar Consultoria.

*crédito foto: divulgação

terça-feira, 7 de abril de 2009

Samba de uma nota triste: Morreu S. Vieira

"O Samba é bom, melhor sou eu que gosto dele". São os versos de uma das mais de 400 criações do mestre Antonio Vieira. O samba é bom, mas também pode ser triste.

Morreu nesta manhã de terça feira, 7 de abril, às vésperas de completar 89 anos, um dos maiores compositores da Música Brasileira, o mestre maranhense Antonio Vieira.

Eu prefiro ficar com as imagens da expressão do vigor e da sua alegria musical. Sua última apresentação no Clube do Choro do Maranhão foi bem assim. Integrante que era do grupo Urubu Malandro, o mestre Vieira soltou a voz no Clube do Choro, dia 14 de março, alegrando e encantando todos os presentes. Agora seu Veira é saudade.

Virou definitivamente um "Poema para o Azul".

[Fotos: Acervo Clube do Choro do Maranhão]

sexta-feira, 27 de março de 2009

UM “SINHÔ” MÚSICO



Um dos grandes violonistas brasileiros em todos os tempos, João Pedro Borges, o Sinhô, é o convidado da 74ª. edição do Clube do Choro Recebe.

Experiência. Assim pode ser traduzido o encontro do sarau deste sábado, 28, quando se realizará a 74ª. edição do Clube do Choro Recebe, no Restaurante Chico Canhoto (Residencial São Domingos, Cohama), a partir das 19h.

O Regional Tira-Teima, mais antigo
grupo de choro em atividade em São Luís, receberá o não menos hábil e ágil João Pedro Borges, um dos grandes nomes do violão do Brasil e do mundo.

Após passar por várias formações, o Regional Tira-Teima hoje conta com os afinados Paulo Trabulsi (cavaquinho solo), Zeca do Cavaco (cavaquinho centro), Francisco Solano (violão sete cordas), Serra de Almeida (flauta) e Zé Carlos (percussão).

Sinhô – apelido que João Pedro Borges ganhou ainda na adolescência – integra a tríade sacrossanta do violão maranhense, ao lado de Joaquim Santos, de quem foi professor, e Turíbio Santos, de quem foi aluno. Outro professor seu foi Jodacil Damasceno. Entre os alunos, diversos nomes do violão e da música popular brasileira: Raphael Rabello, Guinga, Cesar Teixeira e Josias Sobrinho, entre outros.

DISCOGRAFIA – Ao lado de Turíbio Santos, gravou diversos discos, merecendo destaque Choros do Brasil (1977) e Valsas e Choros (1979), onde os dois dão novas luzes à obra de nomes como Dilermando Reis, Heitor Villa Lobos, Ernesto Nazareth e João Pernambuco, entre outros.

Em 1985, com participação do compositor, gravou o disco A obra para violão de Paulinho da Viola, disco-brinde nunca relançado em cd. Foi um dos dois maranhenses integrantes, em tempos distintos (o outro foi Joaquim Santos), da Camerata Carioca, do genial Radamés Gnattali, grupamento responsável por inovadoras revoluções na estética musical do choro. Tributo a Jacob do Bandolim (1979) e Vivaldi e Pixinguinha (1980) são alguns dos títulos lançados pela Camerata Carioca tendo Sinhô ao violão. Outros clássicos da música brasileira que contam com a participação especial do músico são Mistura e manda (Paulo Moura, 1983) e Shopping Brazil (Cesar Teixeira, 2004).

Atualmente, diretor da Escola de Música do Estado do Maranhão Lilah Lisboa de Araújo, João Pedro Borges já morou na França, onde realizou concertos em diversos palcos importantes daquele país. Em 2009 realizará 80 apresentações no projeto Sonora Brasil, do SESC. Nestes concertos, o repertório será de temas eruditos.

Sua apresentação no Clube do Choro Recebe trará composições de nomes como Dilermando Reis, João Pernambuco, Heitor Villa Lobos, Paulinho da Viola, Ernesto Nazareth, além de temas autorais, incluindo a valsa Maria Luiza, composta em homenagem à filha do amigo Ricarte Almeida Santos, coordenador do Clube do Choro Recebe e apresentador do Chorinhos e Chorões (domingo, às 9h, na Rádio Universidade FM, 106,9MHz, http://www.universidadefm.ufma.br/). A apresentação terá participação especial do violonista Luiz Jr.

O Projeto Clube do Choro Recebe tem Apoio Cultural de TVN São Luís, Energético Hiro, Clinimagem, Honda Gran Line e Rádio Universidade FM e parceria da Solar Consultoria. A entrada custa apenas R$ 6,00.

SERVIÇO

O quê: Projeto Clube do Choro Recebe – 74ª. edição.
Quem: o Regional Tira-Teima recebe o violonista João Pedro Borges.
Quando: dia 28 de março (sábado), às 19h.
Onde: Restaurante Chico Canhoto (Residencial São Domingos, Cohama).
Quanto: R$ 6,00 (entrada).
Maiores informações: pelo telefone [98] 3252-1219 e/ou e-mails ricochoro@hotmail.com e clubedochorodomaranhao@gmail.com
Apoio Cultural: TVN São Luís, Energético Hiro, Clinimagem, Honda Gran Line e Rádio Universidade FM.
Parceria: Solar Consultoria.
[texto de Zema Ribeiro, da Assessoria de Imprensa do Clube do Choro]

sexta-feira, 20 de março de 2009

CLUBE DO CHORO DO MARANHÃO: NOTA URGENTE












Zeca do Cavaco(foto) substituirá Cláudio Lima

Acidentado, Cláudio Lima será substituído por Zeca do Cavaco na 73ª edição do Clube do Choro Recebe, neste sábado (21).

Por motivo de força maior, o cantor Cláudio Lima não poderá se apresentar na 73ª. edição do Clube do Choro Recebe. O artista está internado após um acidente e será submetido a uma cirurgia. O Clube do Choro do Maranhão deseja sua imediata recuperação e anunciará em breve nova data para seu show no projeto, já tradicional no calendário cultural ludovicense.

Convidado em cima da hora, o cantor Zeca do Cavaco aceitou o desafio de cantar, quase sem ensaio, acompanhado pelo grupo Choro Pungado. A rapaziada se garante: Zeca integrou o Quinteto Calibrado, grupo de choro de proposta musical parecida com a do Pungado, que tem em Rui Mário (sanfona) e Luiz Cláudio (percussão), integrantes comuns.

Dono de voz firme e repertório sofisticado, de Zeca do Cavaco o público presente pode esperar também uma apresentação de qualidade.

O Clube do Choro do Maranhão aproveita esta nota urgente também para agradecer a receptividade do público e dos meios de comunicação para com o projeto e reafirmar o desejo de todos os seus membros pela rápida recuperação do jovem talentoso que é Cláudio Lima, sem dúvidas, desde sempre, um importante personagem na galeria diversa da música maranhense.

O Projeto Clube do Choro Recebe tem Apoio Cultural de TVN São Luís, Energético Hiro, Clinimagem, Honda Gran Line e Rádio Universidade FM e parceria da Solar Consultoria. A entrada custa apenas R$ 6,00.

SERVIÇO

O quê: Projeto Clube do Choro Recebe – 73ª. edição.

Quem: o grupo Choro Pungado recebe o cantor Zeca do Cavaco.

Quando: dia 21 de março (sábado), às 19h.

Onde: Restaurante Chico Canhoto (Residencial São Domingos, Cohama).

Quanto: R$ 6,00 (entrada).

Maiores informações: pelo telefone [98] 3252-1219 e/ou e-mails ricochoro@hotmail.com e clubedochorodomaranhao@gmail.com

Apoio Cultural: TVN São Luís, Energético Hiro, Clinimagem, Honda Gran Line e Rádio Universidade FM.

Parceria: Solar Consultoria.

[nota: texto da Assessoria de Imprensa do Clube do Choro do Maranhão]

quarta-feira, 18 de março de 2009

Choro Pungado e Cláudio Lima no Clube do Choro

choro pungado












cláudio lima

Eis aí uma excelente pedida para os apreciadores do fino da boa música brasileira. Leia o reliase abaixo da assessoria de imprensa do Clube do Choro do Maranhão e sinta-se convidado/a.

CANTO E CHORO MODERNOS


Cláudio Lima e Choro Pungado apresentarão roupagens modernas para clássicos do choro brasileiro e da música maranhense no Clube do Choro Recebe.

Um encontro de inventividades. Assim bem poderia ser definida a 73ª. edição do Clube do Choro Recebe, que este sábado (21) reunirá no palco os talentosíssimos instrumentistas do Choro Pungado e o cantor Cláudio Lima, para quem o adjetivo também é válido.

Se por um lado João Neto (flauta), Luiz Cláudio (percussão), Luiz Jr. (violões de seis e sete cordas), Robertinho Chinês (bandolim e cavaquinho) e Rui Mário (sanfona) formam um dos mais inventivos grupamentos de choro em atividade no Maranhão – ao mesclar o choro a elementos da cultura popular maranhense, além do tango argentino –, por outro, Cláudio Lima repaginou de modernidade os ritmos do Maranhão em seu homônimo disco de estreia (2001): O samba é bom (Antonio Vieira) e Dente de ouro (Josias Sobrinho) ganharam loops eletrônicos; Ray-ban (Cesar Teixeira), então gravada pela primeira vez, antes mesmo do registro do compositor, tinha ares de blues. Em Cada mesa é um palco (2006), o repertório valoriza a fossa – nova, frise-se. No disco, a voz de Cláudio Lima é acompanhada predominantemente pelo piano do baiano Rubens Salles – aqui e ali surgem outros instrumentos em composições de Cesar Teixeira (Bis, música do verso-título), Herivelto Martins (Caminhemos), Tom Zé (Minha carta), Bruno Batista (Despedida) e Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira (Assum preto), entre outros.

HISTÓRIA – Por serem raras as apresentações de Cláudio Lima, o show já vale o ingresso. Vale lembrar que o Choro Pungado surgiu como Quartetaço – a formação original não tinha Robertinho Chinês, literalmente o caçula do grupo – para acompanhar o cantor Bruno Batista, quando de sua apresentação no Clube do Choro Recebe, que contou com a participação de Cláudio Lima. Os dois cantores haviam realizado recentemente em São Luís o show Hein?, sucesso de público e crítica.

O Projeto Clube do Choro Recebe tem Apoio Cultural de TVN São Luís, Energético Hiro, Clinimagem, Honda Gran Line e Rádio Universidade FM e parceria da Solar Consultoria. A entrada custa apenas R$ 6,00.

SERVIÇO

O quê: Projeto Clube do Choro Recebe – 73ª. edição.
Quem: o grupo Choro Pungado recebe o cantor Cláudio Lima.
Quando: dia 21 de março (sábado), às 19h.
Onde: Restaurante Chico Canhoto (Residencial São Domingos, Cohama).Quanto: R$ 6,00 (entrada)

segunda-feira, 9 de março de 2009

Nota da CPT: Quem é Gilmar Mendes!




Quem é este homem que insiste em aparecer na grande mídia como paladino do direito, como arauto da moralidade, como timoneiro da justiça?

Ele tem sempre um bom receituário de boa conduta prontinho para oferecer para os outros. Está sempre disposto a manifestar sua balizada e superior opinião sobre os mais variados temas da República. Sobre o Executivo(especialmente sobre o Governo Lula), sobre o Legislativo, sobre as organizações sociais tem sempre uma crítica na ponta da língua. Só não tolera opiniões contrárias às suas e muito menos que critiquem sua conduta, ainda que ela destoe da sua função de alto magistrado.

Pois a CPT - Comissão Pastoral da Terra - nos ajuda a compreender melhor quem é esse homem, tão zeloso do direito e da justiça. Tão preocupado em se manifestar publicamente em alguns momentos estratégicos da nossa vida política. Embora, sempre do lado dos poderosos e apaniguados.

Leia o teor da nota, abaixo, assinada por D. Xavier Gilles, presidente nacional da CPT, que acaba de ser publicada, revelando um pouco do perfil do presidente da mais elevada corte da nossa justiça.




“Ai dos que coam mosquitos e engolem camelos” (MT 23,24)

Nota Pública sobre as declarações do presidente do STF, Gilmar Mendes

A Coordenação Nacional da CPT diante das manifestações do presidente do STF, Gilmar Mendes, vem a público se manifestar.

No dia 25 de fevereiro, à raiz da morte de quatro seguranças armados de fazendas no Pernambuco e de ocupações de terras no Pontal do Paranapanema, o ministro acusou os movimentos de praticarem ações ilegais e criticou o poder executivo de cometer ato ilícito por repassar recursos públicos para quem, segundo ele, pratica ações ilegais. Cobrou do Ministério Público investigação sobre tais repasses. No dia 4 de março, voltou à carga discordando do procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, para quem o repasse de dinheiro público a entidades que “invadem” propriedades públicas ou privadas, como o MST, não deve ser classificado automaticamente como crime.O ministro, então, anunciou a decisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), do qual ele mesmo é presidente, de recomendar aos tribunais de todo o país que seja dada prioridade a ações sobre conflitos fundiários.
Esta medida de dar prioridade aos conflitos agrários era mais do que necessária. Quem sabe com ela aconteça o julgamento das apelações dos responsáveis pelo massacre de Eldorado de Carajás, (PA), sucedido em 1996; tenha um desfecho o processo do massacre de Corumbiara, (RO), (1995); seja por fim julgada a chacina dos fiscais do Ministério do Trabalho, em Unaí, MG (2004); seja também julgado o massacre de sem terras, em Felisburgo (MG) 2004; o mesmo acontecendo com o arrastado julgamento do assassinato de Irmã Dorothy Stang, em Anapu (PA) no ano de2005, e cuja federalização foi negada pelo STJ, em 2005.
Quem sabe com esta medida possam ser analisados os mais de mil e quinhentos casos de assassinato de trabalhadores do campo. A CPT, com efeito, registrou de 1985 a 2007, 1.117 ocorrências de conflitos com a morte de 1.493 trabalhadores. (Em 2008, ainda dados parciais, são 23 os assassinatos). Destas 1.117 ocorrências, só 85 foram julgadas até hoje, tendo sido condenados 71 executores dos crimes e absolvidos 49 e condenados somente 19 mandantes, dos quais nenhum se encontra preso. Ou aguardam julgamento das apelações em liberdade, ou fugiram da prisão, muitas vezes pela porta da frente, ou morreram.
Causa estranheza, porém, o fato desta medida estar sendo tomada neste momento. A prioridade pedida pelo CNJ será para o conjunto dos conflitos fundiários ou para levantar as ações dos sem terra a fim de incriminá-los? Pelo que se pode deduzir da fala do presidente do STF, “faltam só dois anos para o fim do governo Lula”... e não se pode esperar, “pois estamos falando de mortes” nos parece ser a segunda alternativa, pois conflitos fundiários, seguidos de mortes, são constantes. Alguém já viu, por acaso, este presidente do Supremo se levantar contra a violência que se abate sobre os trabalhadores do campo, ou denunciar a grilagem de terras públicas, ou cobrar medidas contra os fazendeiros que exploram mão-de-obra escrava?

Ao contrário, o ministro vem se mostrando insistentemente zeloso em cobrar do governo as migalhas repassadas aos movimentos que hoje abastecem dezenas de cidades brasileiras com os produtos dos seus assentamentos, que conseguiram, com sua produção, elevar a renda de diversos municípios, além de suprirem o poder público em ações de educação, de assistência técnica, e em ações comunitárias. O ministro não faz a mesma cobrança em relação ao repasse de vultosos recursos ao agronegócio e às suas entidades de classe.

Pelas intervenções do ministro se deduz que ele vê na organização dos trabalhadores sem terra, sobretudo no MST, uma ameaça constante aos direitos constitucionais.

O ministro Gilmar Mendes não esconde sua parcialidade e de que lado está. Como grande proprietário de terra no Mato Grosso ele é um representante das elites brasileiras, ciosas dos seus privilégios. Para ele e para elas os que valem, são os que impulsionam o “progresso”, embora ao preço do desvio de recursos, da grilagem de terras, da destruição do meio-ambiente, e da exploração da mão de obra em condições análogas às de trabalho escravo. Gilmar Mendes escancara aos olhos da Nação a realidade do poder judiciário que, com raras exceções, vem colocando o direito à propriedade da terra como um direito absoluto e relativiza a sua função social. O poder judiciário, na maioria das vezes leniente com a classe dominante é agílimo para atender suas demandas contra os pequenos e extremamente lento ou omisso em face das justas reivindicações destes. Exemplo disso foi a veloz libertação do banqueiro Daniel Dantas, também grande latifundiário no Pará, mesmo pesando sobre ele acusações muito sérias, inclusive de tentativa de corrupção.

O Evangelho é incisivo ao denunciar a hipocrisia reinante nas altas esferas do poder: “Ai de vocês, guias cegos, vocês coam um mosquito, mas engolem um camelo” (MT 23,23-24).

Que o Deus de Justiça ilumine nosso País e o livre de juízes como Gilmar Mendes!

Goiânia, 6 de março de 2009

Dom Xavier Gilles de Maupeou d’Ableiges
Presidente da Comissão Pastoral da Terra

terça-feira, 3 de março de 2009

"O CHORO" e o (não)prefácio de Catullo

Catullo

O Animal
O Choro. É o título da primeira publicação(1936) escrita sobre os nossos precursores chorões. A árdua tarefa coube ao carteiro Alexandre Gonçalves Pinto, O Animal - como era conhecido. Homem simples, de pouca leitura e, por conseguinte, de frágil escrita.

Mas, envolvido que era por aquela atmosfera boêmia e musical, que marcou o final do século XIX e o início do XX - período do surgimento do Choro, o gênero - na cidade do Rio de Janeiro, o velho carteiro chamou para si a missão de registrar as "reminiscências dos chorões antigos" em livro.

É claro que foi uma obra simples, porém fundamental. Pois dá conta de registrar para posteridade informações, estórias e curiosidades dos primeiros chorões que corriam o risco de cair no esquecimento. Além de ser efetivamente a primeira obra escrita sobre o Choro no Brasil. Indispensável aos pesquisadores da música brasileira. Daí também a sua grande importância.

Pois o Animal, ao concluir os trabalhos de "O Choro", encaminhou sem o menor constrangimento ao, então, famoso amigo, poeta, compositor, cantor e, segundo alguns, chato, Catullo da Paixão Cearense, para que este fizesse o prefácio da "chorística" e nascente obra.

O poeta maranhense não fez por menos. Fez valer sua fama de Chatullo. Mandou ver uma severa e carinhosa - se é que é possível conciliar essas duas condições - crítica aos escritos do amigo, em um rebuscado bilhete, se negando a prefaciar o livro do Animal.

Ainda assim o singelo e principiante escritor de "O Choro" não se fez de rogado. Mandou publicar assim mesmo, como se fosse o prefácio de sua obra, o crítico bilhete de Chatullo, digo, Catullo.

Agora, que tive acesso a esse material, em versão digital, graças ao amigo e pesquisador Celijon Ramos, quero partilhar com mais pessoas, esse curioso bilhete-(não)prefácio do nosso Catullo da Paixão Cearense, publicado no primeiro livro escrito sobre o nosso Chorinho, "O Choro", de Alexandre Gonçalves Pinto, o Animal.

Leia, abaixo, no português da época, o (in)delicado bilhete que virou prefácio:



ALEXANDRE


O prefacio que me pediste para o teu livro, fica para outra vez. Não te posso ser util nas correcções dos erros, porque só uma revisão geral poderia melhoral-o, o que é impossivel, depois de o teres quase prompto.

O leitor, porém, se deliciará com a sua leitura, fechando
os olhos aos desmantelos grammaticaes, revivendo comtigo a
historias desses chorões, que te ficarão devendo eternamente
o serviço que lhes prestas, arrancando-os do esquecimento. Só mesmo tu, com o teu grande coração, serias capaz de uma obra tão saudosa para os que, como eu, viveram naqueles tempos de immarcesciveis recordações.

Se, como penso, este livro tiver o acolhimento que merece, para fazeres uma segunda edição, prometto-te corrigil-o com muito carinho, auxiliando-te no que puder, para que a lista completa dos antigos e afamados chorões, resuscitados por ti com boas gargalhadas e lagrimas sentidas, pois é uma ineffavel satisfação percorrer todas as “sepulturas” deste cemitério de vivos na nossa memória. Pedes-me uma poesia para a abertura? Envio-te esta, "O Passado", que vem a calhar.

E, para terminar, recebe o abraço do amigo velho, que não se cansará de felicitar-te pela lembrança feliz deste formoso, carinhoso e saudoso breviario dos dias da nossa festiva, alegre e rumorosa mocidade
CATULLO CEARENSE
Rio, 28/10/935

Em tempo: Catullo da Paixão Cearense é, também, o autor da letra da primeira composição brasileira considerada Choro, enquanto gênero, Flor Amorosa, com música de Joaquim Antônio Callado. Daí que tem maranhense no choro desde o começo. No livro do Animal e na composição do Callado.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

ORGANIZAÇÕES E MOVIMENTOS SOCIAIS EM DEFESA DO JUIZ JORGE MORENO

As organizações e movimentos sociais estão acompanhando o julgamento do processo disciplinar instaurado contra o juiz de Santa Quitéria – Dr. Jorge Moreno, e esperam que o Tribunal de Justiça do Maranhão, ao final do julgamento do processo, proclame a justiça que se espera e se faz necessária no caso
O processo disciplinar em curso foi instaurado a pedido do Deputado Estadual Max Barros - DEM (que obteve 20% de seus votos no município de Santa Quitéria), alegando o exercício de atividade político-partidária pelo Juiz Jorge Moreno.
No entanto, o que foi demonstrado no processo foi que o Juiz Jorge Moreno tem atuação destacada em favor da população, tendo sido responsável, em conjunto com a Promotora de Justiça Nayma Abas, pelo Município de Santa Quitéria ter sido o primeiro município brasileiro a erradicar o sub-registro nascimento, grave problema a atingir as populações mais empobrecidas do país.
Em face desse trabalho, recebeu o Prêmio Nacional de Direitos Humanos, moções de elogios da Corregedoria do TJ/MA, da Associação do Ministério Público, do CONSEA-MA e da Assembléia Legislativa, além de referências elogiosas em telejornais como o Jornal Hoje e Globo Repórter e em jornais como O Globo, O Estado do Maranhão, O Imparcial, Jornal Pequeno, além de ter sido considerado um exemplo a ser repetido no país pela UNICEF.
O próprio representante do Ministério Público presente no início do julgamento foi enfático ao afirmar que o Juiz Jorge Moreno não praticou atividades político-partidária, e que a representação deve ter sido apresentada por setores contrários ao trabalho realizado pelo juiz e pela promotora de Santa Quitéria.
Assim, espera-se do Tribunal de Justiça que seja feita justiça a esse juiz honesto e trabalhador.
São Luís, 10 de fevereiro de 2009.
-CNBB NE V (CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL – REG.
-CÁRITAS BRASILEIRA REGIONAL MARANHÃO
-SOCIEDADE MARANHENSE DOS DIREITOS HUMANOS - SMDH
-REDE DE INTERVENÇÃO EM POLÍTICAS PÚBLICAS- RIPP/MA
MARANHÃO
-COMISSÃO PASTORAL DA TERRA – REGIONAL MARANHÃO
-CONSELHO INDIGENISTA MISSIONÁRIO DO MARANHÃO - CIMI
-CONSELHO ESTADUAL DE SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL
-ONG TRAVESSIA
-PASTORAIS SOCIAIS DA DIOCESE DE BACABAL
-CÁRITAS DIOCESANA DE BREJO
-CÁRITAS DIOCESANA DE VIANA
-CÁRITAS DIOCESANA DE IMPERATRIZ
-CÁRITAS DIOCESANA DE SÃO LUÍS
-CÁRITAS DIOCESANA DE COROATÁ
-CÁRITAS PAROQUIAL DE CODÓ
-CÁRITAS DIOCESANA DE BALSAS
-CÁRITAS DIOCESANA DE BACABAL
-COOPERATIVA DOS PEQUENOS PRODUTORES AGROEXTRATIVISTAS DE VARGEM GRANDE
-REDE MANDIOCA
-CÁRITAS DIOCESANA DE CAXIAS
-FÓRUM ESTADUAL DE ECONOMIA SOLIDÁRIA – MA
-FÓRUM CARAJÁS
-ASSOCIAÇÃO AGROECOLÓGICA TIJUPÁ
-REDE DE AGROECOLOGIA DO MARANHÃO (RAMA)
-MOVIMENTO DOS ATINGIDOS PELA BASE ESPACIAL DE ALCÂNTARA (MABE)
-CENTRO DE DEFESA PE. MARCOS PASSERINI
-FÓRUM DE POLÍTICAS PÚBLICAS DE BURITICUPU/MA
-COMITÊ DE CIDADANIA LEI 9840/99 DE VIANA
-CENTRO DE DEFESA DA VIDA E DOS DIREITOS HUMANOS DE BOM JESUS DAS SELVAS
-FÓRUM DE ENTIDADES DE BOM JESUS DAS SELVAS
-MOVIMENTO NEGRO UNIFICADO (MNU/MA)

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

E vem aí o Tribunal Popular do Judiciário e MP Maranhenses


O Tribunal Popular do Judiciário e Ministério Público é uma iniciativa de um conjunto de Organizações, redes e articulações da Sociedade Civil, durante todo o ano de 2009, em vista de uma reflexão profunda sobre o papel e a atuação do Judiciário e MP maranhenses, considerando um quadro de profunda negação e violação dos Direitos Humanos no estado do Maranhão.

A motivação dessa iniciativa deve-se a uma histórica situação de negação e violação dos Direitos Humanos no estado, sem que essas duas instituições, assumam efetivamente suas responsabilidades constitucionais.
Os abusos, omissões, conivências e responsabilidades se dão nas mais diferentes áreas e/ou temas de interesse público. Pode-se fazer um levantamento ou mapeamento da atuação das duas instituições que facilmente se verificará o grande hiato na prestação jurisdicional desses dois organismos fundamentais para a democracia. Isso se expressa concretamente na vida de milhões de maranhenses, através da não garantia e efetivação dos direitos sociais. Isso, ainda, para não falar dos outros direitos, civis, políticos, ambientais, culturais e econômicos. Sem a complexidade dos novos paradigmas dos Direitos Humanos.

É sabido por todos/as que a partir de 88, o país recupera a condição de Estado Democrático de Direito. É dito na Constituição que o Estado Brasileiro tem o dever de garantir o bem estar e a dignidade da pessoa humana, indistintamente. Saúde, educação, moradia, proteção à infância e à maternidade, lazer, segurança são DIREITOS do cidadão e da cidadã.

No entanto, na cultura política brasileira, arraigada na tradição coronelista, no patrimonialismo, vocação que o Maranhão ostenta com todo garbo e galhardia, essa compreensão é ainda muito distante da realidade, especialmente junto às instituições de Estado.

Basta ver nas últimas oito décadas, a sucessão de grupos oligárquicos que se apropriaram do patrimônio público, enriqueceram com as benesses do Estado e implantaram nas entranhas dele um cultura, um modus operandi, cuja lógica é o privilégio, o apadrinhamento, o sabe com quem está falando?.

O resultado, podemos ver nos nossos indicadores sociais, ante tanta riqueza natural, tanta potencialidade, temos hoje um Maranhão rico de povo empobrecido, miserável.

Visitar pensadores como Raimundo Faoro, Sergio Buarque de Holanda, Caio Prado Júnior, Darcy Ribeiro, dentre outros, nos ajuda a compreender melhor as “raízes do Brasil”, a formação histórica, econômica, cultural e política do “povo brasileiro”. Conhecer melhor quem são “os donos do poder”. Com essas leituras é possível identificar nossos condicionantes, que determinam a mentalidade das nossas elites e do povo brasileiro, o rumo do nosso chamado “desenvolvimento”. O jeito das nossas instituições. Como e para quem o Estado brasileiro existe.

São pelo menos (quase) quatro século de cristalização de um Estado garantidor de privilégios de uma elite política e dita “intelectual”, cuja lógica, é sua própria reprodução, em um ciclo de auto-favorecimento interminável. Participação popular, tratada como coisa de polícia. Afinal, como diz o ditado, “política é coisa de branco”.

A Carta de 88, na contramão dessas tradições, foi um avanço extraordinário, que veio no bojo das lutas políticas e sociais, contra a ditadura militar, e pela redemocratização do país. Com a chamada Constituição Cidadã, afirmava-se no papel um conjunto de Direitos, há muito, negados pelos governos ditatoriais. O Brasil recuperava a condição de Estado Democrático de Direitos. E mais, recuperávamos o caráter público do Estado Brasileiro, portanto, responsabilidade de governo e de sociedade.

Isto significava que a sociedade seria o foco, o sentido, a prioridade do Estado e de governos. Além disso, também cabia a ela, como direito constitucional, o exercício do controle social sobre todas as políticas públicas. Participar,propor, fiscalizar, denunciar são funções da sociedade.

Daí pra frente, este era o nosso desafio: Transformar o que estava consignado no papel em efetividade na vida das pessoas. Fazer com que os direitos sociais, civis e políticos pudessem virar qualidade de vida, dignidade, bem estar.

O ordenamento jurídico está dado; o pacto federativo estabelecido - federação, estados e municípios com papéis definidos e complementares - ; os poderes constituídos (Executivo, Legislativo e Judiciário); o Ministério Público, finalmente com uma responsabilidade pública de vigilância e zelo pelos interesses difusos da sociedade; os recursos, garantidos. Nunca a máquina arrecadadora foi tão eficiente. Tudo certo, tudo vai funcionar. O Estado vai garantir as políticas públicas. Adeus atraso, pobreza e miséria.

Ledo engano. Nesse arranjo institucional todo, existem até algumas peças que, sob pressão, até que funcionam. Mal, mas funcionam.

Já outras, não conseguiram se livrar das tradições imperiais, do arcaísmo, do autoritarismo, do legalismo de letra morta, do privilégio, da inércia, da pompa, da ostentação, do favorecimento, do jeitinho brasileiro, do compadrio, do “sabe com quem está falando?”.

Por azar da cidadania, as instituições mais afetas a este conjunto de sintomas deletérios aos Direitos Humanos, são as que habitam no campo da prestação Jurisdicional. Especialmente o poder Judiciário e o Ministério Público. As de importância estratégica na mediação do Jogo Institucional estabelecido.

Sobre os outros poderes (executivo e legislativo) até que se consegue exercer algum tipo de controle social. Fiscaliza-se, denuncia-se, propõe-se, vota-se e até delibera-se. Agora quando o assunto são as instituições do Judiciário, há uma distancia abissal, paira uma aura de superioridade, de inquestionabilidade.

Olha só que relevância para o avanço da democracia e garantia dos Direitos Humanos no Maranhão, teria O Judiciário e o Ministério Público maranhenses. Passaram-se 20 (vinte) anos da promulgação da Constituição, e essas duas pouco ou quase nada avançaram nesse campo.
Só agora, há pouco mais de três anos, O tribunal de Justiça do Maranhão realizou concurso público para o provimento de seus quadros de pessoal. Funcionava tudo na base do Q.I(quem indique), do nepotismo em suas mais variadas modalidades.

É dito, à boca graúda, que juízes e promotores, em sua maioria, só estão nas comarcas de terça à quinta; que suas relações com o executivo municipal beira o favor, a subserviência recíproca, como moeda de troca de conveniências. Recentemente um membro da corte mais alta da Justiça Maranhense denunciou a venda de sentença por membros do TJ. Algo que todos já “desconfiavam”. Isso para não falarmos do último relatório do CNJ, sobre o Judiciário maranhense, recentemente publicado.
É sintomático que a Controladoria Geral da União, o TCU, O Ministério Público Federal, a Justiça Federal, a Polícia Federal consigam identificar casos de corrupção, prender dezenas de gestores públicos, enfim, criar embaraços, constrangimentos e punições – ainda que por pouco tempo - aos larápios do dinheiro público e o nosso MP e o Judiciário, com exceção de alguns poucos e valorosos promotores e juízes, não consigam perceber o que todos enxergam a olhos nus, o roubo deslavado dos recursos públicos. Tem até uma indústria de liminares para reintegrar prefeitos cassados.

Existem estudos, estatísticas que atestam que no Maranhão o nível do desvio dos recursos públicos nos municípios beira a casa dos 60 a 70 por cento. Na operação Rapina da PF no Maranhão, dentre dezenas de gestores públicos e contadores presos, um dos prefeitos havia desviado cerca de 96% dos recursos federais repassados ao Município. Imagina o tanto de direitos que são negados em cadeia com esse nível violento, escancarado de roubo do dinheiro público.

Esse é o quadro de malversação das políticas e recursos públicos, que por função constitucional, o Ministério Público e o poder Judiciário teriam papéis complementares de zelo pelo interesse sociedade, pela garantia dos Direitos, através das políticas públicas efetivadas na vida das pessoas, enfim, do contribuinte, para falar de dinheiro, de quem paga a conta. Inclusive os altos salários de juízes, promotores, desembargadores, deputados, prefeitos, que são servidores públicos ou, pelo menos, deveriam ser.

Por outro lado, o que se vê é um distanciamento da realidade. Será que juízes, desembargadores, promotores, procuradores são seres que vivem em outro planeta? Os gordos salários, os privilégios, os favores, parece que os transformam em figuras acima do bem e do mal, não sujeitas a uma vida entre os simples mortais. Tanto que alguns morrem de medo de contato com o humano.

Se consideram inquestionáveis, sujeitos herméticos, “imparciais”, não podem se posicionar publicamente, ainda que seja pelo razoável, pelo interesse coletivo. No entanto, os últimos acontecimentos, as últimas eleições municipais falam por si. Juízes envolvidos com prática de trabalho escravo, com venda de sentenças, comprometidos com um dos lados das eleições em vários municípios, dentre outras práticas condenáveis.

As muitas sublevações, turbas enfurecidas, surgidas nos mais diferentes recantos deste estado, depredando bens públicos, após as eleições, não são frutos apenas da ação de baderneiros, dos derrotados. Mas é também descrença nas instituições mediadoras e de controle oficial, a cada dia mais inócuas, ausentes, distantes, omissas, ineficientes, pouco produtivas e, por vezes, comprometidas.

Todo esse passivo das instituições jurisdicionais se amplia para todos os lados dos Direitos Humanos. Na questão fundiária, os segmentos populares rurais e urbanos são vítimas constantes dos despejos desumanos e violentos, quase nunca fazendo Justiça; nas violações dos Direitos da Criança e do/a Adolescente; no sistema prisional, milhares de presos sem julgamento há anos, inchando as cadeias e presídios, em um violento atentado aos Direitos Humanos. E não pára por aí. São muitos os quadros de omissão, conivência, e de responsabilidade do Judiciário e Ministério Público com a negação e violação dos Direitos Humanos no Maranhão.

É necessário que a sociedade crie mecanismos e ferramentas de discussão e reflexão sobre essa grave situação. É um tabu ainda muito grande abordar esse tema em todo o Brasil. Ainda paira muito medo.
Mas é necessário e é contemporâneo. Os avanços democráticos vão em todas as direções. O nível de informação que a sociedade brasileira e maranhense acumula, a noção de direitos cada vez mais crescente, as novas gerações, já não cabem nessas instituições arcaicas, enferrujadas, cristalizadas, fechadas em seu mundinho de conforto e privilégios, pactuadas com o poder político e econômico. Ainda assim, acima do bem e do mal. Ora, vê se pode!?.

O pacto tem que ser com a CIDADANIA, com a garantia dos direitos difusos da sociedade, com a plataforma DHESCAS, com a transparência, com a participação social. Assim teremos um grande Ministério Público, legítimo, um Judiciário garantidor da JUSTIÇA, vivo, atuante para o bem da democracia e de toda a sociedade.

O tribunal Popular do Judiciário e Ministério Público se propõe a isso. Discutir coletivamente, com um mecanismo do próprio Judiciário, a sua atuação, o seu papel, tão reclamados pelo conjunto da sociedade. A ideia é realizar vários eventos (tribunais populares) em diferentes regiões do Maranhão, culminando com um grande momento Estadual, que possam apurar, investigar as responsabilidades dessas instituições em diferentes temáticas dos Direitos Humanos e proceder o julgamento popular concernente. E Por fim, que se possa oferecer os elementos levantados, as denúncias apuradas aos organismos nacionais e internacionais de controle, como os Conselhos Nacionais de Justiça e do Ministério Público, e a OEA, dentre outras organizações multilaterais.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Oficina do MCCE reúne mais de 200 pessoas no FSM, em Belém (PA)

A segunda oficina realizada pelo Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), na Tenda Irmã Dorothy, na Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), dia 31/01, reuniu mais de 200 pessoas para discutir como combater a corrupção eleitoral no país.

O MCCE promoveu oficina com o tema "Como combater a corrupção eleitoral", no último sábado, 31/01, como parte da programação do Fórum Social Mundial 2009. O espaço de discussão reuniu mais de 200 participantes. Integrantes do Comitê Nacional e de Comitês 9840 do MCCE falaram sobre o Movimento e sua atuação, sobre a Campanha Ficha Limpa e apresentaram a campanha 2009, Corrupção Eleitoral e Saúde.

O membro do MCCE e representante da Comissão Brasileira Justiça e Paz (CBJP), entidade do Movimento, Daniel Seidel, abriu a oficina relembrando o início da luta pela criação da Lei 9840, a primeira de iniciativa popular no país. Em seguida, o juiz Márlon Reis, representante da Associação dos Magistrados, Procuradores e Promotores Eleitorais (Abramppe) no Comitê Nacional do MCCE, falou sobre a força da mobilização nacional em momentos como o da Lei 9840 e atualmente com a Campanha Ficha Limpa.

Márlon ressaltou ainda que o nível de mobilização alcançado pela sociedade com a experiência dos Comitês 9840 é uma novidade histórica no campo da mobilização popular. A secretária executiva do Comitê Nacional do MCCE, Suylan Midlej, destacou o trabalho de formação permanente desenvolvido pelo Movimento. Mesmo fora do período eleitoral, o MCCE continua promovendo ações pela ética na política com o voto livre e consciente. Suylan falou também sobre os materiais produzidos pelo MCCE para apoiar atividades educativas e a militância no combate à corrupção eleitoral. Folders, cartilhas, cartazes e outros materiais são disponibilizados pelo MCCE para quem quiser atuar nessa causa.

Os membros de alguns comitês estaduais, Ricarte Almeida, do Maranhão, Pedro Martins, do Pará, e Luciano Santos, de São Paulo, mostraram ao público as suas experiências no combate à corrupção eleitoral em seus estados. Como aconteceu na primeira oficina – dia 30/01, na Universidade Federal do Pará (UFPA) – os participantes se identificaram com as conquistas e as dificuldades no trabalho contínuo desenvolvido pelos Comitês 9840 no país.

No último momento da oficina, a Campanha Ficha Limpa e a nova campanha 2009 do MCCE, Corrupção Eleitoral e Saúde, foram os assuntos abordados. Os participantes demonstraram apoiar e acreditar no Projeto de Lei de iniciativa popular sobre a vida pregressa dos candidatos. Como lembrou Márlon Reis, que falou sobre a Ficha Limpa, a candidatura de políticos em débito com a Justiça é uma indignação de toda a sociedade. "Está na hora de transformar essa indignação em ação", disse Márlon sobre o novo PL de iniciativa popular.

A campanha 2009, Corrupção Eleitoral e Saúde, foi apresentada pela diretora da Secretaria Executiva do Comitê Nacional, Jovita José Rosa. O objetivo da nova ação é mobilizar a sociedade no combate ao desvio de verbas da Saúde para campanhas eleitorais, assim como a troca de bens da saúde por votos, irregularidades que se tornaram comuns no Brasil. Ao final das apresentações, cerca de 30 pessoas pediram a palavra para debater sobre os assuntos tratados na oficina.

Durante a oficina, os participantes receberam materiais do MCCE sobre a Lei 9840 e a Campanha Ficha Limpa e também levaram para casa formulários de assinaturas para continuar a coleta em suas cidades.

Cristiane Vasconcelos
Assessoria de Comunicação – Comitê Nacional
Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral
comunicacaomcce@gmail.com
www.mcce.org.br

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Meu filho Lucas e o sonho de um novo mundo









A propósito da posse de Barack Obama, como presidente dos EUA, meu Filho Lucas, 16 anos, fez uma boa reflexão sobre o que pode significar para a humanidade, em tempos de crise generalizada do modelo societário vigente, a ascensão do novo presidente americano.

Claro, com os descontos do idealismo natural, porém raro, de um adolescente, o texto de Lucas Moraes Santos, levanta elementos importantes sobre a necessidade de um novo pacto de convivência planetária.

É evidente também a minha satisfação com o nível de reflexão e formulação do meu - e de Cristiane Moraes - adorável rebento.



“EU TENHO UM SONHO” DE TODA A HUMANIDADE.

por Lucas Moraes Santos*

Não obstante o exagerado apelo da mídia, por vezes até mesmo de interesse comercial, é inegável a imensa importância da eleição inédita de um negro ao cargo mais poderoso do planeta, o de presidente dos Estados Unidos da América. É possível que grande parte dos brasileiros que assistiram à posse do novo presidente norte-americano, não tenha percebido o quanto esse acontecimento significa uma mudança radical nos pilares da ética e da maneira de se fazer política no mundo contemporâneo, mas esta eleição à presidência americana fica registrada como uma das mais decisivas de todos os tempos.

Barack Obama, para muitos, é a personificação de uma nova ordem mundial que se estabelece e que promete novos rumos e maior igualdade à todos os cidadãos desta grande aldeia global. Entre os muitos motivos existentes, o que parece encontrar maior eco na imprensa mundial é o fato de ele ser o primeiro presidente negro da maior potência mundial. Obama é um descendente direto de africanos, um povo massacrado por séculos pelo imperialismo dos países ricos e que hoje em dia deixou um continente inteiro miserável e faminto, aos frangalhos, como preço pela construção de suas economias gigantescas atuais. A cor da pele de Obama também simboliza uma ruptura definitiva com o passado vergonhoso de segregação racial daquele país, e vem como uma homenagem à todos que pagaram com sangue e humilhação por conta do desrespeito às diferenças, uma homenagem justa às minorias, vítimas da intolerância no mundo todo.

A eleição de Barack Obama reflete a construção de uma nova ordem mundial também, pelo fato de ele ser o primeiro presidente americano cujo pai e mãe possuem doutorados acadêmicos, e isto reflete mais do que parece. Reflete a possibilidade de um espaço maior para a inclusão da educação como prioridade na nova ordem mundial que se forma nesse começo de século XXI. Reflete o papel que será dado a educação neste século, o de transformar a realidade miserável em todo mundo, reflete a maneira como ela será encarada: como instrumento de libertação, de desopressão e de ascensão social. Mostra que ela de fato irá mostrar os rumos para um novo futuro em que o conhecimento poderá ser de fato democrático.

Barack Obama tem se mostrado um indício de que novos tempos estão chegando. Tempos em que brancos, negros, amarelos, índios, mulçumanos, asiáticos, orientais, latinos,protestantes, católicos, judeus, espíritas, budistas, homossexuais, entre outras minorias poderão juntas formar uma única maioria, que conviverá em paz e respeito mútuo, com respeito às diferenças e tolerância às mais diversas crenças e costumes. Acontecimentos como a eleição à presidência americana de um negro, filho de africanos, de sobrenome Hussein (a exemplo do ditador), e cuja realidade foi transformada pelo acesso à educação de qualidade, apontam de fato para uma nova maneira de construir relações sociais, para uma nova maneira de fazer política baseada na cooperação internacional e a parceria de nações desenvolvidas e subdesenvolvidas na construção de um mundo mais igualitário.

Isto tudo pode não passar de um sonho, Barack Obama pode sim frustrar muitas expectativas e vai sim cometer erros em seu governo como qualquer um, os indícios podem não se concretizar em mudanças concretas e a sociedade pode permanecer desigual.Mas é preciso acreditar que vale a pena lutar por esta sociedade que idealizamos, vale a pena lutar pela igualdade de diretos e pelo acesso à educação, bem como pela tolerância ao que é diferente. É muito difícil que tudo isso se concretize, pode ser que não passe de um devaneio de um otimista. Mas como foi dito por um mártir da luta contra a segregação, Martin Luther King: “eu tenho um sonho”, que não é meu, mas de toda a humanidade.

*Lucas Moraes Santos, 16 anos, estudante do 3o ano do ensino médio. Estudou no Centro Educacional Colméia e hoje estuda no Colégio Santa Teresa.